GOLPE MILIONÁRIO

Investidor Lucas Nery é preso em Goiânia por golpe de R$ 500 milhões em mil pessoas

Investidor Lucas Nery é preso em Goiânia sob acusação de golpe financeiro.
Lucas Nery, investigado por aplicar golpe de R$ 500 milhões, foi preso em Goiânia.

Lucas Nery, suspeito de aplicar pirâmide financeira e causar prejuízo de meio bilhão de reais, foi detido em Goiânia. O caso envolve cerca de mil vítimas.

O investidor Lucas Nery, apontado como o principal suspeito de liderar um esquema de pirâmide financeira que lesou aproximadamente mil pessoas e causou um prejuízo estimado em R$ 500 milhões, foi preso nesta segunda-feira, 29 de junho de 2026, em Goiânia (GO). A prisão ocorre após meses de investigação que desarticulou uma operação que prometia lucros vultosos através da compra antecipada de créditos trabalhistas e valores a receber da Justiça por um custo inferior. O caso, que ganhou notoriedade nacional, impacta diretamente a vida e a dignidade de centenas de famílias que confiaram seus recursos ao esquema, agora desprovidas de seus bens e com um futuro incerto.

Lucas Nery estava foragido desde abril, período em que sua ostentação em redes sociais, com festas luxuosas e bebidas caras, contrastava com o desespero das vítimas. Seu pai, o advogado Jorge Nery, já havia sido detido sob a suspeita de conferir credibilidade ao esquema de seu filho, utilizando inclusive sindicatos falsos. A investigação aponta que parte do montante desviado pode ter sido enviada para contas no exterior e convertida em criptomoedas, o que dificulta o rastreamento dos fundos. A Justiça determinou o bloqueio de bens, contas bancárias e veículos ligados ao investigado.

O modus operandi do golpe envolvia a atração de investidores com a promessa de retornos financeiros acima do mercado. Conforme relatado pela advogada das vítimas, Thais Costa, o negócio consistia na compra de créditos trabalhistas e valores que indivíduos tinham a receber da Justiça. O esquema permitia que as vítimas pagassem um valor menor para antecipar o recebimento desses créditos, enquanto quem detinha o direito recebia um montante inferior para ter o dinheiro antes. Essa dinâmica, embora parecesse vantajosa a curto prazo, configurava uma clássica pirâmide financeira, insustentável a longo prazo.

O esquema começou a ruir quando os pagamentos prometidos não foram efetuados nas datas acordadas, levando as vítimas a perceberem o golpe. Relatos indicam que Lucas Nery desapareceu justamente no período em que deveria honrar seus compromissos financeiros. Uma das vítimas, que investiu mais de R$ 300 mil, capital destinado à sua empresa, viu seu patrimônio ser dizimado. A comunicação entre os lesados se intensificou via WhatsApp, revelando a extensão do problema e o sumiço do empresário, conforme depoimentos colhidos pela EPTV, afiliada da TV Globo, no dia 26 de junho.

A Polícia Civil estima que cerca de mil pessoas foram prejudicadas, um número que reflete a amplitude da fraude. O delegado responsável, Alexandre da Silva Leonardo, destacou que mesmo em grupos menores dentro da suposta subpirâmide, havia cerca de 300 pessoas envolvidas. Ele alertou para os perigos de promessas de retornos financeiros excessivamente vantajosos, ressaltando que retornos acima de 8% ao mês, como prometido neste caso, não são compatíveis com investimentos lícitos e seguros.

A defesa de Lucas Nery, representada pelo advogado Antonio Lu Filho, confirmou a prisão preventiva, mas ressaltou que seu cliente não foi condenado. A defesa baseia-se no princípio da presunção de inocência, garantido pela Constituição Federal, e afirma que apresentará a versão integral dos fatos e documentos comprobatórios ao juiz. O advogado pontuou que o processo judicial é longo e que a sentença final, baseada em provas concretas, ainda está distante, distanciando-se de qualquer conclusão precipitada baseada apenas em manchetes.

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