CRISE NA PESCA
Intoxicação por ciguatera derruba vendas de peixe em Natal
Consumidores evitam pescado e setor registra queda de 90% em vendas, mobilizando Sesap e Federação dos Pescadores do RN nesta sábado, 02 de maio de 2026.
A drástica queda de 90% nas vendas de pescado em Natal, desencadeada pelos recentes casos de intoxicação por ciguatera, mergulha pescadores e comerciantes do Rio Grande do Norte em uma crise sem precedentes. A repercussão dos incidentes, que atingiu o setor pesqueiro com força nos últimos dias e mobiliza autoridades de saúde, ameaça a subsistência de milhares de famílias potiguares nesta sábado, 02 de maio de 2026.
O receio generalizado dos consumidores estendeu-se para além das espécies diretamente associadas aos episódios de contaminação. Dados da Federação dos Pescadores do Rio Grande do Norte revelam que a comercialização de pescado na capital potiguar registrou uma retração de cerca de 90% nos últimos dias, impactando toda a cadeia produtiva.
A ciguatera, uma intoxicação alimentar, ocorre pelo consumo de peixes contaminados por toxinas produzidas por microalgas presentes em recifes. Peixes como bicuda e arabaiana são frequentemente associados, pois ingerem organismos menores e acumulam a toxina ao longo da cadeia alimentar. Contudo, o temor da população tem reduzido drasticamente a procura por diferentes tipos de pescado, inclusive os considerados seguros.
Diante do cenário alarmante, a Secretaria de Estado da Agricultura e da Pesca do RN prontamente se reuniu com representantes da categoria. O objetivo foi levantar informações detalhadas para subsidiar ações efetivas da Secretaria de Estado da Saúde Pública do RN (Sesap), visando tanto a segurança alimentar quanto o apoio ao setor.
Apesar dos esforços, pescadores relatam que ainda não houve diálogo efetivo com o Ibama. A categoria também avalia que a imposição de um período de defeso, que seria uma paralisação forçada da pesca, não seria economicamente viável neste momento de fragilidade.
Os efeitos econômicos da crise já são palpáveis. Há relatos preocupantes de estoques de peixe parados, uma queda abrupta nas vendas para hotéis e restaurantes, e até mesmo embarcações sendo colocadas à venda, um reflexo dramático da falta de demanda e da incerteza no futuro da pesca potiguar.
O Rio Grande do Norte contabiliza atualmente 115 casos de intoxicação por ciguatera. A Sesap destaca que o estado é pioneiro no país ao realizar uma notificação específica para este tipo de contaminação. Apenas em 2025, noventa casos já haviam sido confirmados, o que levou a pasta a emitir orientações cruciais para a população, comerciantes e profissionais de saúde.
Os sintomas da ciguatera podem variar em intensidade e surgir entre 30 minutos e 24 horas após a ingestão do pescado. Entre os sinais mais comuns estão dor abdominal, náuseas, vômitos, diarreia, dores de cabeça, coceira intensa, fraqueza muscular e um incômodo gosto metálico na boca, podendo, em casos graves, persistir por semanas ou até meses, afetando profundamente a qualidade de vida dos indivíduos.
Diante do avanço dos casos e da severidade dos impactos econômicos e na saúde, as autoridades reforçam a necessidade de extrema atenção ao consumo e à procedência dos alimentos. O setor pesqueiro, um pilar da economia local, enfrenta agora um dos momentos mais delicados de sua história recente, clamando por soluções urgentes para superar esta crise multifacetada.
Classificação Indicativa: Livre
Gostou desta notícia?
Entre no nosso grupo do WhatsApp!
Receba as principais notícias em primeira mão, direto no seu celular. É grátis!
📲 Quero entrar no grupo
Comentários (0)
Deixe seu comentário