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Intercept Brasil revela controle de Eduardo Bolsonaro sobre filme “Dark Horse”

Eduardo Bolsonaro, ex-deputado federal do PL, em foto oficial da Câmara dos Deputados.
Ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL). Foto: Vinicius Loures/Câmara dos Deputados

Contrato assinado em janeiro de 2024 detalha gestão financeira do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro no projeto audiovisual sobre a trajetória política de Jair Bolsonaro. A apuração do Intercept Brasil contesta publicações anteriores do parlamentar.

Nesta sexta-feira, 15 de maio de 2026, uma apuração detalhada do Intercept Brasil revelou que o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL) exerceu um controle financeiro significativo sobre o filme “Dark Horse”, que narra a trajetória política de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. O portal de notícias apontou que Eduardo atuou como produtor-executivo, uma função que lhe conferia amplos poderes sobre a gestão dos recursos. Esta descoberta contesta diretamente as declarações do próprio Eduardo, que em redes sociais afirmou ter apenas cedido seus direitos de imagem, sem qualquer cargo de gestão. A inconsistência das informações levanta sérias questões sobre a transparência na atuação de figuras públicas em projetos de grande visibilidade, afetando a confiança da sociedade na integridade política.

O Intercept Brasil detalhou que Eduardo Bolsonaro, embora tenha negado envolvimento direto na administração financeira, possuía responsabilidades e autoridade sobre a gestão dos recursos do filme. Em uma publicação nas redes sociais, o ex-deputado federal declarou não ter exercido qualquer cargo de gestão e que apenas cedeu seus direitos de imagem para a produção.

No entanto, um contrato de produção, datado de novembro de 2023 e assinado digitalmente por Eduardo Bolsonaro em 30 de janeiro de 2024, contradiz essa versão. O documento aponta a empresa GoUp Entertainment, sediada nos Estados Unidos, como produtora principal. Eduardo Bolsonaro e o deputado federal Mario Frias (PL/SP) figuram como produtores-executivos, cargo que, no universo audiovisual, lhes concede poder direto sobre o controle de orçamento e a gestão financeira de um projeto.

O acordo detalha que a produtora e os produtores-executivos atuariam em conjunto em diversas atividades de desenvolvimento do projeto. Entre as funções descritas, estavam o "envolvimento nas considerações estratégicas relacionadas ao financiamento do filme", a "preparação de informações e documentação para investidores" e a "assistência na identificação de recursos de financiamento de filmes, incluindo créditos e incentivos fiscais, colocação de produtos e patrocínio".

O contrato, obtido e divulgado pelo Intercept, define uma vasta gama de atribuições para Eduardo Bolsonaro na produção. Ao lado da GoUp Entertainment e de Mario Frias, ele teria responsabilidade direta pelas decisões cruciais sobre como os recursos seriam captados e, subsequentemente, empregados no projeto. A apuração não especificou, contudo, quem de fato executou essas funções na prática.

As revelações do Intercept Brasil colocam em pauta a importância da clareza e da honestidade por parte de figuras públicas, especialmente quando seus nomes e imagens são associados a projetos que envolvem captação e gestão de grandes somas financeiras. A transparência é um pilar fundamental para a credibilidade de líderes políticos e para a manutenção da confiança da sociedade.

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