RISCO DE GRIPE

Influenza: 30% das mortes em 2026 ocorreram nas últimas semanas, aponta Ministério da Saúde

Gráfico indicando aumento de casos graves de influenza.
Número de casos graves de influenza de janeiro a maio de 2026 já supera o mesmo período do ano passado.

Número de casos graves de influenza de janeiro a maio de 2026 já supera o mesmo período do ano passado. Especialistas alertam para baixa cobertura vacinal.

O Ministério da Saúde confirmou 505 mortes por síndrome respiratória aguda grave (SRAG) associadas aos vírus Influenza A e B no Brasil, entre janeiro e maio de 2026. Deste total, 136 óbitos, o que representa 30% das fatalidades, foram confirmados apenas nas duas últimas semanas. Embora esses óbitos não tenham necessariamente ocorrido neste período, sua causa foi identificada recentemente, evidenciando a gravidade da situação e a importância da vigilância contínua.

O caso de Bryan, um adolescente de 13 anos que faleceu em 6 de abril de 2026 após rápida progressão da Influenza A, ilustra a letalidade da doença. Seu pai, Eliseu Gomes de Souza Camargo, de 46 anos, relata a agonia de ver o filho sucumbir à infecção, que evoluiu rapidamente após o diagnóstico, culminando em internação, intubação e duas paradas cardíacas.

Cena ilustrativa sobre a influenza

Os números consolidados pelo Ministério da Saúde indicam um aumento de casos graves em comparação com o mesmo período de 2025, quando foram registradas 776 mortes por SRAG associada à influenza. Em 2026, já são 7.749 casos de SRAG por influenza, um salto em relação aos 6.250 casos de janeiro a maio do ano anterior. A circulação dos vírus H1N1, H3N2 e Influenza A não subtipada, além do Influenza B, contribui para a disseminação.

Especialistas alertam que o número real de óbitos pode ser maior, uma vez que 1.344 mortes por SRAG em 2026 ainda não tiveram o agente causador identificado, podendo incluir outros vírus como a covid-19, rinovírus e vírus sincicial respiratório (VSR).

O cenário se agrava com a baixa adesão à Campanha Nacional de Vacinação contra a Gripe, que foi concluída em 30 de maio de 2026 com apenas 38,5% do público-alvo vacinado. A meta de 90% de cobertura vacinal, que o Brasil não atinge desde 2021, torna a população mais vulnerável, especialmente crianças, idosos e gestantes, grupos prioritários que compõem o público-alvo.

A sazonalidade dos vírus respiratórios, intensificada pelo clima mais seco e temperaturas baixas do outono e inverno, favorece a transmissão. A antecipação desse período em algumas regiões do país, combinada com baixa imunidade e maior circulação de pessoas, contribuiu para o aumento de casos graves e internações. No entanto, não há evidências de que o vírus tenha se tornado mais letal, mas sim que as cepas circulantes permanecem semelhantes às de 2025, como aponta Juliana Lapa, infectologista e membro do Comitê de Infecções Respiratórias da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI).

A gravidade da infecção, segundo Rosana Richtmann, infectologista do Instituto Emílio Ribas e Grupo Santa Joana, depende do hospedeiro. Crianças, idosos, pessoas com comorbidades e tabagistas estão mais suscetíveis a quadros graves. A coinfecção, a ocorrência de mais de um vírus simultaneamente, também agrava o quadro.

A Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) ocorre quando a infecção compromete severamente os pulmões. A Influenza A, em particular, gera preocupação devido à sua alta capacidade de mutação e disseminação, facilitando reinfecções e a possibilidade de novas combinações genéticas com subtipos como H1N1 e H3N2, que já causaram pandemias históricas e continuam a gerar complicações severas, especialmente em grupos vulneráveis. O Influenza B, embora menos agressivo, também pode levar a hospitalizações e mortes.

A baixa adesão à vacinação é atribuída, em parte, à desconfiança gerada após a pandemia de covid-19, o que tem permitido a reemergência de doenças como o sarampo. A falta de vacinação, mesmo com a proteção oferecida pela vacina trivalente, deixa a população exposta a riscos significativos, incluindo complicações como pneumonia viral, insuficiência respiratória e agravamento de doenças cardiovasculares e metabólicas, como infarto e AVC.

A campanha de vacinação, realizada de 28 de março a 31 de maio de 2026 nas regiões Nordeste, Sudeste, Sul e Centro-Oeste, priorizou grupos vulneráveis. Apesar da ampliação do público em algumas capitais como São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte, a cobertura vacinal está aquém do esperado, com apenas 18,2 milhões de doses aplicadas das 47,4 milhões disponíveis. A vacina trivalente oferecida pelo SUS protege contra três cepas do influenza, sendo suficiente para a maioria dos casos, apesar da existência da opção quadrivalente no mercado particular a partir de R$ 80.

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