IMPACTO NO BOLSO
Inflação no Brasil atinge 0,67% em abril, o nível mais alto para o mês em 4 anos; gasolina e alimentos lideram as altas
Preço da gasolina e dos alimentos dispara, acumulando 0,67% no mês. Famílias sentem o peso.
A inflação oficial do Brasil alcançou 0,67% em abril, o patamar mais alto para o mês nos últimos quatro anos, revelando um cenário desafiador para o poder de compra das famílias, conforme divulgado nesta terça-feira, 12/05/2026. Os preços da gasolina e dos alimentos foram os principais vilões deste aumento, impactando diretamente o orçamento de milhões de brasileiros e gerando um efeito cascata que atinge toda a cadeia produtiva.
Embora o índice de abril tenha sido ligeiramente inferior ao de março, o acumulado nos últimos 12 meses se aproxima perigosamente do teto da meta estabelecida pelo Banco Central. O grupo de alimentos e bebidas, em particular, impulsionou a escalada inflacionária, registrando uma alta de 1,34% no mês. Produtos básicos como a cenoura viram seus preços dispararem quase 27%, enquanto o leite longa vida, a cebola e o tomate também registraram aumentos significativos.
Para a esteticista Mônica Moreira, a realidade é de constante adaptação. "Quando o tomate está caro, eu troco por outro tipo de salada. Quando a batata está cara, eu troco pelo aipim e vice-versa, e vou trocando. Quem é dono de casa tem que acabar trocando", relata ela, expondo os malabarismos diários para alimentar a família sem comprometer ainda mais o orçamento.
A gasolina, por sua vez, registrou um aumento de 1,86%, mas seu impacto na inflação foi ainda maior devido ao seu peso no orçamento das famílias. Este reajuste nos combustíveis desencadeia um "efeito dominó" que se propaga por diversos setores da economia. "Aumenta o custo do frete. Produtor começa a ter problema também para deslocar o seu produto, tirar seu produto da fazenda para levar para um destino qualquer. Vai encarecer para ele. Está acontecendo isso", explica Hélio Sirimarco, vice-presidente da Sociedade Nacional de Agricultura, destacando como o custo do transporte afeta desde a produção rural até o preço final na prateleira.
A conjuntura internacional, marcada pela guerra no Irã e pela valorização dos derivados de petróleo, agrava a situação, encarecendo os alimentos de forma generalizada. No Brasil, condições climáticas adversas somam-se a esse cenário, castigando culturas essenciais. Em 2026, as geadas precoces no Paraná, principal produtor de feijão nesta época do ano, prejudicaram drasticamente a formação dos grãos e queimaram as folhas das plantas.
O agricultor Rodrigo Mignon descreve a devastação: "Ela chega a estar praticamente transparente, ela cozinhou. Não vai dar produtividade, peso. É uma quebra bem complicada. Mas, infelizmente, não temos muito o que fazer, é erguer a cabeça e na próxima safra plantar de novo". A resiliência dos produtores rurais é posta à prova diante de perdas tão significativas.
Os reflexos já são sentidos no bolso do consumidor. No acumulado do ano, o feijão preto subiu 11% e o carioquinha, mais de 32%, atingindo um alimento que é a base da dieta brasileira. "O alimento básico. Brasileiro quer comer arroz e feijão", reforça Mônica Moreira.
Para Deize de Abreu, empregada doméstica, abrir mão do feijão é impensável. Questionada se conseguiria passar sem o grão, sua resposta é categórica: "Não, não. Não tem como substituir". Sua fala ilustra a importância cultural e nutricional do feijão para milhões de famílias.
A Companhia Nacional de Abastecimento projeta uma produção de feijão 5% menor em 2026 do que em 2025. Embora não se preveja desabastecimento, a oferta apertada é um alerta. "Em princípio, o quadro de oferta e demanda segue adequado. Agora, estoques apertados. Significa o quê? Que os preços não vão cair", conclui Hélio Sirimarco, indicando que a pressão sobre os preços do feijão deve persistir.
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