ECONOMIA E PODER DE COMPRA

Inflação desacelera em junho, mas mantém pressão sobre o orçamento das famílias

Gráfico mostrando a variação da inflação mensal com a logomarca do Banco Central
Foto: Jornal Nacional/ Reprodução

O índice oficial atingiu o menor patamar para o mês em três anos, mas o custo de vida acumulado permanece acima do teto da meta definida pelo Banco Central.

O recuo nos preços dos alimentos foi o principal motor para que a inflação brasileira atingisse, em 11 de julho de 2026, seu menor patamar para o mês de junho nos últimos três anos. O resultado, embora traga um alívio momentâneo para o bolso do consumidor, ainda posiciona o indicador acima do teto da meta estabelecida pelo Banco Central, o que mantém o cenário econômico em alerta quanto à preservação do poder de compra.

No levantamento de junho, itens como café, frutas e carnes apresentaram recuo, ajudando a segurar o avanço dos preços. No entanto, o custo da alimentação acumula uma alta de 4,56% no ano, patamar que desafia o orçamento das famílias de menor renda. Patrícia Portela Magaldi, que busca ajustar as compras conforme a variação das etiquetas, ilustra a rotina de quem precisa gerenciar os gastos no supermercado para garantir o sustento básico.

Segundo André Braz, economista do FGV/Ibre, a diferença entre a inflação média e o custo específico dos alimentos gera uma percepção de perda real para o cidadão. “Se o salário é corrigido pela média, mas a alimentação subiu muito acima disso, as famílias constatam que estão desembolsando mais para comprar a mesma quantidade de alimentos”, explica o especialista. A servidora pública Gabriela Coelho confirma essa percepção ao notar que a queda nos índices oficiais nem sempre se traduz em uma sensação clara de alívio nas despesas cotidianas.

Dados do IPCA revelam que, enquanto alguns alimentos ajudaram a conter o índice de 0,16% — ante 0,58% registrados em maio —, outros itens básicos, como o feijão-carioca e a batata-inglesa, registraram alta. Paralelamente, custos com energia elétrica pressionaram o orçamento, e as passagens aéreas mantiveram preços elevados. No acumulado de 12 meses, a inflação atinge 4,64%, superando o limite superior de 4,5% ao ano.

José Ronaldo de Castro Souza Junior, economista e professor do Ibmec, avalia que o cenário atual é de desconforto inflacionário. Ele pondera que a proximidade com o teto da meta dificulta a trajetória de redução dos juros, impactando diretamente o planejamento financeiro do país. O diagnóstico é de que a estabilidade de preços, essencial para o planejamento das famílias, segue como uma meta ainda em processo de consolidação.

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