INDICADOR ECONÔMICO OFICIAL
Inflação brasileira desacelera para 0,16% em junho com recuo nos alimentos
O IPCA apresenta alívio no custo de vida das famílias impulsionado pela queda nos preços de itens essenciais, embora o acumulado do semestre siga pressionado.
A inflação oficial do Brasil, medida pelo IPCA, registrou variação de 0,16% em junho de 2026. O dado, apurado pelo IBGE, reflete uma desaceleração no custo de vida para as famílias brasileiras, influenciada diretamente pela queda nos preços do grupo Alimentação e Bebidas. O indicador é fundamental para balizar o planejamento financeiro das pessoas, visto que impacta diretamente o poder de compra e o orçamento doméstico mensal.
No acumulado dos últimos 12 meses, o aumento dos preços atingiu 4,64%, índice inferior aos 4,72% registrados até maio. No entanto, ao observar o primeiro semestre de 2026, o IPCA acumula alta de 3,36%, superior aos 2,99% anotados no mesmo período de 2025. Este é o maior avanço para o primeiro semestre desde 2022.
O grupo Habitação exerceu a maior pressão de alta no mês, com variação de 0,63%. O resultado é reflexo da manutenção da bandeira tarifária amarela pela Agência Nacional de Energia Elétrica e de reajustes tarifários em cidades como Porto Alegre, Curitiba e Belo Horizonte. Embora a energia elétrica tenha desacelerado, ela permanece como o item de maior impacto no orçamento.
Em contrapartida, o alívio veio da mesa do consumidor. O grupo Alimentação e Bebidas recuou 0,24% em junho. Produtos básicos como Café moído (-3,72%), Frutas (-1,58%) e Carnes (-0,64%) ficaram mais baratos, trazendo um respiro necessário para as famílias que lidam com a gestão das despesas domiciliares. Em sentido oposto, itens como o Feijão-carioca (+8,31%) e a Batata-inglesa (+3,57%) registraram elevações significativas.
Outros setores apresentaram dinâmicas distintas. Em Saúde e Cuidados Pessoais, houve alta de 0,23%, influenciada pelos planos de saúde — que seguem reajustes autorizados pela ANS — e por itens de higiene pessoal. No setor de Transportes, a alta de 0,17% foi puxada pelas passagens aéreas (7,12%), apesar das quedas observadas no Etanol (-3,09%), Óleo diesel (-1,19%) e Gasolina (-0,12%). Segundo José Fernando Gonçalves, do IBGE, a volatilidade dos combustíveis ainda reflete incertezas globais, como a crise no Oriente Médio que impacta o valor internacional do petróleo.
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