RETOMADA ACIMA DOS 50 PONTOS
Indústria do Brasil volta a crescer em junho, mas vendas recuam, aponta PMI
Índice de Gerentes de Compras (PMI) atingiu 50,8 em junho, impulsionado pela criação de empregos e estoques, apesar de queda em produção e novas encomendas. Conflitos no Oriente Médio afetam prazos de entrega e custos.
A atividade industrial no Brasil voltou a registrar leve expansão em junho, refletindo a criação de empregos e o aumento de estoques, ainda que com pressões inflacionárias menores. A pesquisa PMI (Índice de Gerentes de Compras), divulgada nesta quarta-feira, 01/07/2026, mostrou o índice em 50,8 pontos, acima da marca de 50 que separa crescimento de contração. Este resultado marca uma recuperação em relação aos 49,1 pontos de maio. No entanto, o avanço se deve principalmente à contratação de pessoal pelo quinto mês consecutivo e à formação de estoques. Componentes cruciais como a produção e as novas encomendas permaneceram em território de contração, indicando desafios persistentes no mercado. Os estoques de materiais aumentaram no ritmo mais forte em quase cinco anos, sinalizando a chegada de insumos adquiridos anteriormente e uma estratégia de reforçar a segurança de suprimentos. Os estoques de produtos acabados também apresentaram alta, revertendo uma tendência de queda. O PMI foi ainda impulsionado pela melhora nos prazos de entrega de fornecedores. Contudo, essa melhora não reflete necessariamente demanda forte, mas sim interrupções nas cadeias de suprimentos agravadas pelo conflito no Oriente Médio. Esses atrasos impactam a obtenção de materiais e aumentam os custos. Pollyanna De Lima, diretora associada de economia da S&P Global Market Intelligence, destacou que o conflito no Oriente Médio intensifica a inflação, prejudica o comércio e afeta a confiança das empresas. "[O conflito] está provocando alguns dos piores atrasos nas entregas que vimos desde meados de 2022", afirmou. As contrações nas novas encomendas totais e na produção foram menos acentuadas que em maio, mas as empresas ainda observam um apetite reduzido dos clientes e pressões competitivas. As exportações também caíram, embora em menor intensidade. Todos os três segmentos monitorados pela pesquisa – bens de consumo, intermediários e de investimento – registraram quedas na produção, nos novos pedidos e nas vendas internacionais. Os custos de insumos apresentaram a menor pressão inflacionária em três meses, com as empresas reportando o impacto da guerra no Oriente Médio sobre combustíveis, matérias-primas e transporte. Os preços cobrados aos clientes subiram no ritmo mais lento do período, com repasse parcial dos custos adicionais. A confiança das empresas na perspectiva de crescimento recuou para o menor nível em 14 meses, limitada por preocupações com a concorrência, a demanda, a incerteza política e a volatilidade dos mercados globais.
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