DEFESA DO SETOR

Indústria de madeira busca reverter tarifa de 25% imposta pelo USTR

Fachada do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos em Washington.
Representantes da Abimci buscam reverter sobretaxa em audiência com autoridades do USTR.

A Abimci articula junto ao governo americano a exclusão de produtos brasileiros da sobretaxa, visando proteger 180 mil empregos no Brasil.

A Abimci (Associação Brasileira da Indústria de Madeira Processada Mecanicamente) lidera uma ofensiva diplomática e técnica para evitar a aplicação de uma tarifa adicional de 25% recomendada pelo USTR (Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos). A medida, que impacta diretamente a competitividade do setor, foi debatida em audiência pública realizada em Washington, conforme detalhado nesta quinta-feira, 09/07/2026.

O posicionamento da entidade sustenta que os produtos nacionais não competem com a produção interna dos EUA, funcionando, na verdade, como um complemento essencial à demanda norte-americana. A expectativa é que, ao analisar o desempenho técnico e a complementaridade das peças brasileiras, as autoridades comerciais dos Estados Unidos optem pela exclusão tarifária de diversos itens, garantindo a continuidade do fluxo comercial.

A possível sobretaxa representa um risco severo para a economia brasileira, visto que os Estados Unidos absorvem cerca de 50% das exportações do segmento, que movimentou aproximadamente US$ 1,2 bilhão em 2025. Para as empresas do setor, que ainda lidam com os reflexos de tarifas aplicadas no ano anterior — algumas atingindo 50% e gerando demissões e retração produtiva —, a decisão final tem impacto direto na dignidade de cerca de 180 mil trabalhadores.

Com cerca de 90% da capacidade produtiva concentrada na Região Sul, o setor tem presença marcante em pequenos municípios, onde a atividade florestal é o motor da renda local. A Abimci argumenta que a indústria brasileira opera sob rigorosos sistemas de rastreabilidade e manejo sustentável, o que diferencia o produto nacional no cenário global.

Enquanto aguardam o desfecho da análise técnica, os representantes da associação seguem mobilizando parceiros comerciais e clientes nos EUA para fortalecer a defesa. A incerteza quanto à nova tarifa mantém em alerta a cadeia produtiva, que depende da manutenção de custos competitivos para preservar postos de trabalho e a estabilidade econômica de comunidades inteiras no Brasil.

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