ECONOMIA E CRÉDITO

Desenrola 2.0 atinge R$ 44,7 bilhões em negociações, mas inadimplência persiste

Evento de lançamento do programa Desenrola 2.0 no Palácio do Planalto com a presença de autoridades.
Lula lança Desenrola Adimplentes em evento no Palácio do Planalto.

Programa do governo já supera o ritmo de adesão da primeira edição, embora indicadores da CNC e Serasa mostrem famílias ainda pressionadas por dívidas bancárias.

O governo federal consolidou o Desenrola 2.0 com uma movimentação expressiva de R$ 44,7 bilhões em crédito em menos de três meses de vigência, segundo dados do Ministério da Fazenda. A iniciativa, que foi lançada em maio para combater o recorde de endividamento no Brasil, busca aliviar o orçamento doméstico por meio de descontos e renegociações, mas a eficácia da medida ainda enfrenta desafios estruturais nas finanças das famílias.

Os números refletem um ritmo de adesão superior ao da primeira edição, alcançando em pouco tempo mais de 80% do total renegociado ao longo dos dez meses da versão anterior. Entretanto, a realidade socioeconômica aponta para um cenário de cautela: em junho, 81,6% das famílias brasileiras permaneciam endividadas, conforme levantamento da Confederação Nacional do Comércio (CNC). O peso dessas dívidas impacta diretamente a dignidade do consumidor, que vê no cartão de crédito — citado por 84,7% dos inadimplentes — o principal gargalo para a subsistência.

A gravidade da situação foi corroborada pelo Serasa, que registrou, no mês passado, o ápice da série histórica com 83,7 milhões de negativados. Esse cenário de endividamento persistente, que já dura 18 meses, ocorre apesar da expansão do programa, que agora inclui o suporte a micro, pequenas e médias empresas via Pronampe e Procred, além da utilização do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) como garantia.

O Banco Central, por meio do Comitê de Estabilidade Financeira (Comef), reforçou em nota divulgada no começo de julho que o comprometimento da renda das famílias segue em trajetória de alta. A autoridade monetária pontua que o uso intensivo de modalidades mais onerosas mantém a pressão sobre o orçamento, sinalizando que a recuperação da saúde financeira será um processo gradual.

Atualmente, o Desenrola 2.0 oferece condições como descontos de até 90% e parcelamento em até 48 meses para débitos contraídos até 31 de janeiro de 2026. Embora a Medida Provisória (MP) tenha estabelecido diretrizes rigorosas, a persistência da inadimplência indica que o acesso ao crédito precisa ser acompanhado de estratégias de longo prazo para garantir a estabilidade econômica dos brasileiros.

Gostou desta notícia?

Entre no nosso grupo do WhatsApp!

Receba as principais notícias em primeira mão, direto no seu celular. É grátis!

📲 Quero entrar no grupo

Compartilhe esta matéria

Comentários (0)

Seja o primeiro a comentar!

Deixe seu comentário