PRODUTIVIDADE EM FOCO
Indicadores de produtividade no Brasil são desafiadores, aponta diretor da Fundação Dom Cabral
Hugo Tadeu, diretor do Núcleo de Inovação da Fundação Dom Cabral, alerta que desafios em educação e tecnologia limitam o potencial de crescimento brasileiro, especialmente em comparação com países do hemisfério norte.
A discussão sobre produtividade ganhou força no setor produtivo brasileiro, em parte impulsionada pela proposta de redução da jornada de trabalho em análise no Congresso Nacional. Nesta quinta-feira, 02/07/2026, Hugo Tadeu, diretor do Núcleo de Inovação, IA e Tecnologias Digitais da Fundação Dom Cabral, destacou em entrevista ao CNN Money que os indicadores atuais do país tornam este cenário ainda mais desafiador.
O especialista ressaltou que a Fundação Dom Cabral avalia a competitividade com base em três pilares: investimento em educação, inovação e tecnologia. A análise do desempenho brasileiro especificamente na área educacional revela um quadro preocupante. "Os indicadores do Brasil, se eu colocasse aqui o olhar específico para a educação, eles são bem desafiadores", afirmou Tadeu, ressalvando, contudo, que a visão da instituição é voltada para o crescimento e as oportunidades, sem ceder ao pessimismo.
No campo da inteligência artificial (IA), Tadeu informou que o Brasil figura na 67ª posição em um ranking acompanhado pela fundação. Ele identificou que o principal obstáculo reside não no uso individual da tecnologia, mas na sua efetiva incorporação pelas empresas. "O desafio não é no uso pessoal, o desafio é no uso nas empresas", declarou. Para o diretor, a adoção da IA deve resultar em ganhos concretos de eficiência e em redução de custos operacionais, evitando que sua aplicação se limite a tarefas cotidianas.
Tadeu também observou que uma parcela dos trabalhadores demonstra resistência ao uso da inteligência artificial, receosa de perder o emprego ou ter sua jornada de trabalho diminuída. Ele defende que esse entrave seja superado por meio de programas de treinamento e capacitação. "Qualquer inovação e qualquer tecnologia sempre veio para gerar benefício", disse, incentivando as empresas a desenvolverem estratégias para que a IA se consolide como um fator eficaz de aumento da produtividade.
Ao abordar as métricas de desempenho, o especialista explicou a importância da Produtividade Total dos Fatores (PTF) como o indicador mais adequado. A PTF abrange aspectos como a disponibilidade de capital, os investimentos em inovação, tecnologia e a qualificação da mão de obra. Segundo ele, a produtividade média no Brasil e na América Latina tem registrado um crescimento histórico anual entre 0,8% e 0,9%. Em contrapartida, países do hemisfério norte alcançam expansões de 1,5% ou mais, impulsionados por investimentos consistentes nesses mesmos pilares.
Essa disparidade evidencia a urgência em priorizar a educação, a tecnologia, a pesquisa e o desenvolvimento na agenda nacional. Tadeu apontou que o Brasil possui vantagens competitivas, como no setor de energia, que poderiam ser alavancadas para impulsionar a exportação de conhecimento e inovação. "Produtividade não é uma medida de curto prazo, é uma medida de longo prazo", concluiu, defendendo a implementação de projetos estruturantes. Tais iniciativas são cruciais para formar uma população mais qualificada e fortalecer empresas que geram emprego, renda e promovem um crescimento sustentável.
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