DÍVIDAS MUNICIPAIS CRESCEM

Inadimplência atinge recorde histórico em maio, mês de lançamento do Desenrola 2.0

Ilustração de uma pessoa utilizando cartão de crédito para pagamento.
Foto ilustrativa de pessoa pagando conta com cartão de crédito.

Taxa média de inadimplência em operações de crédito chegou a 4,7% em maio, a maior desde o início da série histórica. Endividamento das famílias permanece em patamar elevado.

A taxa de inadimplência média total registrada pelos bancos em operações de crédito alcançou 4,7% em maio deste ano, configurando um recorde histórico. A informação foi divulgada nesta quarta-feira, 01/07/2026, pelo Banco Central (BC). Este índice representa um aumento de 0,1 ponto percentual em relação a abril, quando o indicador foi de 4,6%, segundo dados revisados. O patamar atual é o mais elevado desde março de 2011, quando a série histórica revisada teve início.

O recorde coincide com o lançamento do programa “Novo Desenrola Brasil”, conhecido como Desenrola 2.0, a mais recente iniciativa do governo federal para renegociação de dívidas, que começou no mês retrasado. A medida visa mitigar os efeitos do endividamento crescente sobre a dignidade financeira dos brasileiros.

O indicador de inadimplência do Banco Central abrange operações com atraso superior a 90 dias, tanto para pessoas físicas quanto para empresas. No caso das pessoas físicas, a taxa de inadimplência subiu de 5,5% em abril para 5,6% em maio, atingindo o maior nível da série histórica. Para as empresas, o índice permaneceu estável em 3,1% em abril e passou para 3,2% em maio, o maior valor desde novembro de 2017, quando registrou 3,3%.

Até o momento da divulgação, 1,4 milhão de renegociações foram realizadas no âmbito do programa, com um desconto médio de 85% sobre o valor original das dívidas, demonstrando o potencial de alívio financeiro para os consumidores.

O endividamento das famílias também se mantém em níveis preocupantes. De acordo com os dados mais recentes do Banco Central, referentes a abril, a relação percentual entre o saldo das dívidas e a renda acumulada em doze meses ficou estável em 49,8%, o maior valor desde janeiro deste ano (49,9%). Embora apresente pouca variação recente, este índice permanece significativamente acima da média histórica de 42% desde março de 2011, evidenciando um quadro de fragilidade financeira persistente.

Em março, segundo a Serasa Experian, empresa especializada em análise de crédito, 82,8 milhões de brasileiros, o equivalente a 49% da população, estavam endividados. Desse total, 47% dos débitos, somando R$ 557,7 bilhões, estão concentrados em instituições financeiras, justamente o foco principal do programa Desenrola 2.0.

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