LEGISLATIVO EM CRISE
Impasse entre governo e oposição trava pautas essenciais no Congresso
Projetos como o PL da Misoginia, a renegociação de dívidas rurais e alterações no Simples Nacional enfrentam resistência antes do recesso parlamentar.
O Congresso Nacional enfrenta um bloqueio generalizado em sua pauta de votações, faltando apenas uma semana para o início do recesso parlamentar, previsto para 18 de julho de 2026. A paralisia decorre da falta de consensos entre lideranças partidárias e o Poder Executivo, impactando propostas de amplo interesse social e econômico que precisam de tramitação célere para surtirem efeito ainda neste ano.
Na Câmara, o presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), articulava a votação do projeto que eleva o teto de faturamento dos MEIs (Microempreendedores Individuais) para R$ 130 mil anuais e autoriza a contratação de dois empregados. Contudo, o Palácio do Planalto impõe resistência devido ao impacto fiscal superior a R$ 50 bilhões anuais, o que pode postergar a discussão para agosto de 2026.
A proteção aos direitos humanos também segue em compasso de espera com o projeto que tipifica a misoginia como crime equiparado ao racismo. Embora a deputada Tabata Amaral (PSB-SP) tenha avançado com o relatório no grupo de trabalho, a oposição argumenta que o texto fere liberdades individuais e religiosas, travando o prosseguimento da matéria.
No âmbito econômico, o PLP (Projeto de Lei Complementar) dos Combustíveis, desenhado para mitigar os efeitos da instabilidade no Oriente Médio, como o conflito envolvendo o Irã, aguarda definição sobre subsídios à gasolina. Já a renegociação de dívidas rurais, que propõe o uso do Fundo Social do Pré-Sal para socorrer produtores atingidos por eventos climáticos, esbarra na cautela do governo federal frente à FPA (Frente Parlamentar da Agropecuária).
A tensão estende-se à análise de 91 vetos presidenciais que aguardam deliberação conjunta. O presidente do Congresso, Davi Alcolumbre (União-AP), não obteve acordo com o Executivo sobre pontos sensíveis à LOA, nos quais o presidente Luiz Inácio Lula da Silva vetou trechos que elevavam em R$ 393 milhões as emendas parlamentares. Sem consenso, as matérias permanecem estagnadas, afetando a execução orçamentária e a agenda legislativa.
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