CRISE E RESISTÊNCIA
Democracias na América Latina enfrentam desafios críticos enquanto buscam resiliência
Líderes autoritários e queda na confiança institucional geram alertas sobre a estabilidade política, mas indicadores recentes apontam uma recuperação gradual no apoio popular ao regime democrático.
Movimentos políticos na América Latina colocam em xeque a saúde das instituições democráticas, com lideranças que questionam direitos eleitorais e a própria arquitetura do Estado. A preocupação cresce diante de decisões autoritárias que impactam diretamente a vida dos cidadãos e a soberania das urnas.
No domingo anterior ao WW de terça-feira (21), Daniel Ortega declarou o fim dos processos eleitorais na Nicarágua, sob o pretexto de impedir que opositores alcancem o poder. O governante, que ocupa a chefia do Estado desde 2008, consolidou seu controle por meio de diversas reformas institucionais. Maurício Santoro, do Centro de Estudos Político-Estratégicos da Marinha, classificou a postura como mais um episódio autoritário grave na região.
Paralelamente, o cenário em El Salvador reflete a expansão do poder Executivo, com Nayib Bukele confirmando a disputa por um terceiro mandato que, se vitorioso, estenderá sua gestão até 2033. O controle sobre os órgãos eleitorais e o Judiciário local intensifica os alertas sobre a democracia salvadorenha, descrita por instituições internacionais como uma autocracia em formação.
A percepção pública sobre esses regimes também sofreu desgaste. Levantamentos do Latinobarômetro indicam que o apoio à democracia caiu de 58% para 48% entre o início da década de 2010 e 2018. Thiago Vidal, da Prospectiva, explica que a perda de legitimidade decorre da falha dos governos em atender às demandas sociais, gerando um ambiente de crise de confiança duradouro.
Apesar do cenário adverso, especialistas observam uma recuperação nos índices de apoio após a pandemia de Covid-19. Para Alberto Pfeifer, da USP, a resiliência das instituições e a presença de observadores internacionais em pleitos, como os observados na Colômbia e no Peru, ainda garantem uma margem de segurança ao sistema. O relatório de 2025 da The Economist corrobora a visão de que, embora existam retrocessos pontuais, a democracia na América Latina segue demonstrando capacidade de adaptação e sobrevivência.
Gostou desta notícia?
Entre no nosso grupo do WhatsApp!
Receba as principais notícias em primeira mão, direto no seu celular. É grátis!
📲 Quero entrar no grupo
Comentários (0)
Deixe seu comentário