RISCO NA COMIDA

Idosa morre após suspeita de intoxicação por ciguatera em Natal

Idosa morre após suspeita de intoxicação por ciguatera
Idosa morre após suspeita de intoxicação por ciguatera

Peixe consumido em almoço de família em 26 de abril é investigado. O caso reacende o alerta sobre o aumento de surtos da doença no RN, que já dobrou em 2026.

Uma idosa de 84 anos, conhecida como Dona Dorinha, morreu em Natal após quase um mês internada. A suspeita é de intoxicação por ciguatera, uma grave doença causada pela ingestão de peixes contaminados. A decisão de investigar a causa da morte foi tomada pelas autoridades de saúde, que agora analisam o peixe consumido em um almoço em família no dia 26 de abril. O caso é relevante pois a ciguatera representa um risco à saúde pública e o Rio Grande do Norte tem registrado um aumento alarmante de casos.

Dona Dorinha, que residia em Alto do Rodrigues, havia viajado para Natal e, durante um almoço na residência de uma prima, de 74 anos, as duas consumiram um peixe bicuda. O alimento havia sido adquirido em uma feira livre no bairro das Quintas, Zona Oeste da capital potiguar.

Pouco tempo após a refeição, ambas começaram a apresentar sintomas intensos, como fortes dores abdominais e vômitos. Procuraram atendimento médico no mesmo dia. Dona Dorinha foi internada em um hospital particular, chegou a ser transferida para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) onde permaneceu por 17 dias. Apesar de uma melhora inicial, seu quadro se agravou e ela entrou em coma, vindo a falecer na segunda-feira (25). A prima recebeu alta após dois dias de internação.

A Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap) informou que o peixe consumido foi recolhido pela Vigilância Sanitária para análise laboratorial. O resultado dos exames, que verificam a presença de ciguatoxinas, deve levar cerca de 60 dias para ser concluído. As partes congeladas do peixe que não foram consumidas também foram apreendidas pela equipe de fiscalização.

A ciguatera é uma intoxicação alimentar causada pela ingestão de peixes de recifes de corais e áreas tropicais contaminados por ciguatoxinas. Essas toxinas são produzidas por microalgas e podem causar sintomas neurológicos e gastrointestinais graves. Não há um tratamento específico para a doença, apenas o manejo dos sintomas. As toxinas são inodoras, incolores e insípidas, e não são destruídas por métodos convencionais de preparo, como cozimento ou congelamento. As maiores concentrações de toxina geralmente se encontram na cabeça, vísceras e ovos dos peixes.

O caso de Dona Dorinha ocorre em um cenário de preocupação crescente no Rio Grande do Norte. Os números da Sesap indicam que o estado registrou 27 surtos de ciguatera nos primeiros cinco meses de 2026, o dobro do total de 2025. Contudo, nem todos os casos notificados têm confirmação laboratorial, uma vez que os exames levam cerca de dois meses para ficarem prontos. Até o momento, são 20 casos confirmados em laboratório em 2026.

Outras ocorrências suspeitas também foram registradas no estado, incluindo um caso em que cinco pessoas de uma mesma família passaram mal após consumir peixe, e outro envolvendo um advogado e sua esposa após uma refeição em restaurante. Um primeiro surto foi registrado em 2022, afetando dez pessoas da mesma família após o consumo de peixe bicuda. Desde então, outros peixes como cioba, guarajuba, arabaiana e dourado também foram associados a contaminações.

Os sintomas da ciguatera geralmente se manifestam entre 30 minutos e 24 horas após a ingestão do pescado contaminado e incluem dor abdominal, náuseas, vômitos, diarreia, dor de cabeça, cãibras, coceira intensa, fraqueza muscular, visão turva e gosto metálico na boca. Esses sintomas podem durar semanas ou meses. A Sesap recomenda que a população procure atendimento médico imediatamente ao apresentar sintomas e informe sobre o consumo recente de pescado. Recomenda-se também identificar a espécie consumida e preservar sobras congeladas para coleta pela Vigilância Sanitária, além de evitar o consumo de peixes de origem desconhecida ou associados a surtos.

O Centro de Informação e Assistência Toxicológica do RN (CIATOX-RN) está disponível 24 horas por dia para orientações através dos telefones 0800 281 7005 e WhatsApp (84) 98883-9155.

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