IMPACTO DAS ENCHENTES
IBGE: Enchentes no RS destruíram ou danificaram 271 mil imóveis
Pesquisa do IBGE aponta que 81,2 mil domicílios foram destruídos e outros 190,2 mil ficaram seriamente danificados. Mais da metade dos lares sofreram algum tipo de avaria.
A gravidade da destruição e dos danos causados pelas enchentes de maio de 2024 no Rio Grande do Sul foi detalhada em uma nova pesquisa. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou nesta quarta-feira, 01/07/2026, os resultados da Pesquisa Especial sobre as Enchentes no Rio Grande do Sul (PEERS), revelando que um total de 271.525 domicílios foram destruídos ou sofreram danos severos. Essa cifra representa um duro golpe na vida de milhares de famílias gaúchas, que viram seus lares, refúgios e símbolos de segurança serem comprometidos pela força da natureza, afetando diretamente a dignidade e o bem-estar de seus moradores.
Os dados da PEERS, realizada com base em entrevistas entre 15 de setembro de 2025 e 27 de fevereiro de 2026, indicam que 81.272 residências (3,5% do total nas áreas mais afetadas) foram completamente destruídas, um número que reflete a perda total de bens e memórias. Outras 190.253 moradias (8,2%) foram classificadas como muito danificadas, o que significa que a estrutura foi severamente comprometida, exigindo reformas extensas ou até mesmo a reconstrução. Essa situação força muitos a viverem em condições precárias ou a buscarem abrigos temporários, gerando incerteza e instabilidade.
A pesquisa aponta ainda que mais da metade dos domicílios avaliados, especificamente 53,2%, apresentaram algum grau de dano estrutural. Embora 32,4% tenham sido considerados “pouco danificados” e 46,8% não tenham sofrido danos à estrutura, o impacto psicológico e econômico dessas avarias não pode ser subestimado, alterando rotinas e gerando despesas inesperadas.
As consequências das enchentes levaram a uma significativa mobilidade populacional: 14,6% dos moradores mudaram de endereço após o desastre climático. Para 37,9% desses deslocados, a enchente foi o principal motivo para a mudança, evidenciando a necessidade de novas moradias e a ruptura de laços comunitários e sociais.
No total, estima-se que 6,3 milhões de pessoas foram afetadas pelas cheias, um número que corresponde a 56,3% da população do Rio Grande do Sul. A pesquisa também analisou a situação socioeconômica dos atingidos, observando que 66,8% viviam em domicílios com renda mensal de até R$ 5.000. Dessa parcela, 24,9% (aproximadamente 1,5 milhão de pessoas) relataram viver em condições piores após o desastre, enquanto 17,3% (cerca de 1 milhão) notaram uma melhora nas condições de vida, possivelmente devido a auxílios ou novas oportunidades de moradia. A pesquisa foi a primeira do IBGE a ser conduzida inteiramente por meio de entrevistas telefônicas assistidas por computador.
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