ALERTA ECONÔMICO

IBGE: Conflito no Irã pressiona preços ao produtor no Brasil

IBGE: Conflito no Irã pressiona preços ao produtor no Brasil

Aumento de 2,37% em março reverte queda anterior, impulsionado pela indústria extrativa sob tensões geopolíticas.

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) anunciou nesta quarta-feira, 29 de abril de 2026, que os preços ao produtor no Brasil registraram uma alta de 2,37% em março. Este aumento, que reverte a queda de 0,16% observada em fevereiro, foi impulsionado principalmente pelo maior salto em cerca de cinco anos nos preços da indústria extrativa, refletindo o impacto direto da intensificação dos conflitos no Oriente Médio e a pressão global sobre as commodities.

No acumulado em 12 meses, o Índice de Preços ao Produtor (IPP) ainda registra queda, de 1,54%, mas essa é a menor taxa de deflação desde setembro de 2025, indicando uma recuperação gradual.

Murilo Alvim, gerente do IPP, explicou em nota que “essa alta pode ser explicada, em grande parte, pelo contexto de maior instabilidade no cenário internacional, especialmente no Oriente Médio, cujos conflitos tiveram início no final de fevereiro, mas que se intensificaram durante o mês de março e fizeram com que preços mais altos fossem observados em 18 dos 24 setores analisados na pesquisa”.

A guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã vem elevando os preços do petróleo diante do fechamento do Estreito de Ormuz, provocando repercussões mundiais nos preços e sem uma perspectiva clara de resolução em breve. Este cenário geopolítico complexo acende um alerta para a economia global e nacional.

Diante desse panorama, o Banco Central anuncia sua decisão de política monetária nesta quarta-feira, com expectativa de corte de 0,25 ponto percentual na taxa básica de juros Selic, atualmente em 14,75%. A cautela do Banco Central reflete a atenção às tensões internacionais e seus possíveis efeitos inflacionários.

Em março, a indústria extrativa apresentou uma expressiva alta de 18,65% nos preços, a maior desde fevereiro de 2021, e foi responsável por 0,81 ponto percentual do resultado geral do IPP, demonstrando o peso desse setor no índice.

Alvim detalhou que “essa alta foi puxada, principalmente, pelos maiores preços dos óleos brutos de petróleo, já que as tensões geopolíticas têm impactado a oferta global da commodity, que também está com seu escoamento dificultado pelas restrições de navegação no Estreito de Ormuz”.

O IBGE também destacou avanços significativos nos preços de outros produtos químicos (5,03%), refino de petróleo e biocombustíveis (4,24%) e equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (2,50%), evidenciando uma pressão inflacionária disseminada.

No setor de alimentos, o registro foi de um aumento de 1,90% nos preços, marcando uma virada após 10 resultados negativos consecutivos e sendo a leitura mais elevada desde novembro de 2024 (2,18%).

“Essa variação foi puxada principalmente pelos laticínios, cujo grupo econômico teve um aumento de 9,66% no mês em um cenário de menor oferta de leite in natura no mercado, combinado com um custo de produção que vem se mantendo em patamares elevados. Além dos laticínios, vale mencionar os preços das carnes e dos açúcares”, complementou o gerente do IBGE, Murilo Alvim.

O IPP mede a variação dos preços de produtos na “porta da fábrica”, ou seja, sem a inclusão de impostos e frete, abrangendo 24 atividades das indústrias extrativas e de transformação. A escalada desses valores na porta das fábricas sinaliza uma pressão crescente sobre a cadeia produtiva, que tende a se refletir no custo final dos produtos e serviços. Tal cenário gera um impacto direto e preocupante no bolso dos brasileiros, elevando o custo de vida e exigindo maior atenção no gerenciamento do orçamento familiar.

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