GUERRA DE NARRATIVAS DIGITAIS
IA se torna arma para disseminar vídeos falsos em conflitos
Especialistas alertam para o uso sofisticado de vídeos gerados por IA em disputas internacionais, com potencial para desinformar e manipular.
Em meio a tensões diplomáticas e confrontos militares, a inteligência artificial (IA) se tornou uma poderosa ferramenta para a criação e disseminação de vídeos falsos em disputas internacionais. Especialistas observam que clipes sofisticados gerados por IA agora representam uma forma de diplomacia na internet que veio para ficar, alterando a dinâmica da comunicação em conflitos. Nesta sábado, 30/05/2026, a discussão ganha contornos ainda mais relevantes com a percepção de que essas produções visam controlar a informação e confundir o público.
As redes sociais estão repletas de vídeos fabricados: ataques militares que nunca ocorreram, cidades inimigas em chamas ou líderes ocidentais em situações de ridículo e humilhação. Tais conteúdos são projetados para instilar uma falsa sensação de controle, poder e vitória militar, sem qualquer correspondência com a realidade.

O rápido avanço da tecnologia de IA permite a criação de cenários imaginários em questão de minutos. Figuras políticas proeminentes, como o presidente norte-americano Donald Trump, são frequentemente transformadas em personagens de produções artificiais que rapidamente se tornam memes globais e circulam amplamente, muitas vezes republicados por canais oficiais. A IA também é empregada para encenar futuros alternativos, como demonstrado por um vídeo compartilhado por Donald Trump que retratava Gaza como um resort virtual. A Rússia, por sua vez, utiliza a mesma tecnologia para fabricar vídeos de rendições e derrotas do exército ucraniano que não condizem com os fatos.
Estratégia com raízes históricas, nova roupagem algorítmica
Apesar das ferramentas inovadoras, a estratégia de usar a animação como propaganda política e militar não é nova. Essa tática já era empregada antes e durante a Segunda Guerra Mundial, bem como no período entre os conflitos. Contudo, foi durante a Segunda Guerra Mundial que tais produções passaram a ser utilizadas de forma massiva e estratégica por governos de potências como os Estados Unidos, Alemanha nazista, Japão e a antiga União Soviética. A animação transcendeu o entretenimento para se tornar um instrumento eficaz de propaganda, com regimes autoritários utilizando desenhos para manipular emoções e fabricar inimigos.
Em contrapartida, os Estados Unidos contrataram estúdios renomados como Walt Disney e Warner Bros. para criar animações contrárias ao nazismo e ao militarismo japonês. No Japão imperial, longas-metragens animados glorificavam as forças armadas. Durante a Guerra Fria, personagens foram essenciais na disseminação de ideologias rivais. Atualmente, a propaganda política se adapta às linguagens da cultura de massa, com a IA tornando essas produções mais acessíveis, ágeis e fáceis de viralizar.

A 'slopaganda': guerra como produto consumível
Especialistas identificam os vídeos fabricados pelo Irã como parte de uma guerra de narrativas travada no ambiente digital. Histórias simplificadas, compartilháveis e aparentemente inofensivas buscam suavizar a violência, infantilizar o inimigo e transformar os horrores do conflito em um produto de fácil consumo. Matheus Soares, coordenador do Aláfia Lab, destaca que essas estratégias refletem uma transformação na lógica dos conflitos, que agora se estendem para as redes sociais, além dos campos de batalha físicos.
Governos buscam desmoralizar adversários e confundir o debate público para angariar apoio. Nesse contexto, a IA funciona como uma camada adicional na comunicação política, facilitando a criação de vídeos e animações com alto potencial de viralização e engajamento. Esses conteúdos, apelidados de 'slopaganda', utilizam o apelo emocional para contornar as políticas de moderação das plataformas e distribuir narrativas globalmente.
Sem compromisso com a verdade, essas produções priorizam o impacto emocional, buscando gerar raiva, ódio ou orgulho. Em um cenário onde a credibilidade cede espaço aos cliques, a ausência de verdade corre o sério risco de ser banalizada, parecendo apenas uma brincadeira.
Gostou desta notícia?
Entre no nosso grupo do WhatsApp!
Receba as principais notícias em primeira mão, direto no seu celular. É grátis!
📲 Quero entrar no grupo
Comentários (0)
Deixe seu comentário