INOVAÇÃO TRANSFORMA
IA revoluciona mercados e impulsiona lucros globalmente
Bancos de varejo preveem ganhos de US$ 370 bilhões até 2030; Nubank reduz índice de eficiência para 17,6%.
A inteligência artificial emerge como um motor de transformação econômica, impulsionando significativamente as receitas de empresas e revolucionando mercados em escala global, conforme revelam análises recentes divulgadas nesta terça-feira, 19/05/2026. Longe das trends de redes sociais e das consultas rápidas, a tecnologia se consolida como uma força invisível que molda o futuro dos negócios e da vida diária.
Grandes instituições, como o setor financeiro, já colhem frutos tangíveis com a implementação em larga escala de IA. Um estudo do BCG (Boston Consulting Group) aponta, por exemplo, que bancos de varejo podem gerar cerca de US$ 370 bilhões em lucros adicionais anualmente até 2030, graças à adoção generalizada da inteligência artificial.
No Brasil, pesquisas da Febraban (Federação Brasileira de Bancos) revelam que instituições financeiras registram uma redução de custos e um ganho de eficiência operacional de impressionantes 74% como os principais benefícios da adoção da tecnologia. Além da otimização financeira, a IA fortalece a segurança de dados e aprimora a capacidade de análise, protegendo informações sensíveis e oferecendo insights valiosos para decisões estratégicas.
Os reflexos dessa transformação já são visíveis nos balanços corporativos. Nos resultados do primeiro trimestre deste ano, o Nubank informou uma queda significativa no seu índice de eficiência operacional, que passou de 21,4% no primeiro trimestre do ano passado para 17,6%. Este patamar representa o menor nível histórico atingido pela instituição nesse indicador, que mensura o custo para cada real de receita líquida gerada. Na prática, um percentual menor significa uma gestão mais enxuta e lucrativa, beneficiando a saúde financeira da empresa e seus acionistas.
Embora as despesas operacionais tenham somado US$ 648 milhões no trimestre, com alta nominal de 41%, o crescimento da receita, de 42%, superou esse aumento, justificando a melhora no indicador de eficiência.
A busca por inovação no atendimento ao cliente também impulsiona a adoção da IA. Neste mês, o Inter anunciou a chegada da Seven, sua assistente de inteligência artificial, marcando uma nova fase na evolução de seu aplicativo e na interação com os usuários. A instituição explica que a Seven simboliza um salto qualitativo no modelo de interação, integrando agentes de IA aptos a executar tarefas de maneira fluida e conectada. Com essa nova tecnologia, o cliente conquista maior autonomia e assume um controle mais proativo sobre sua vida financeira, resultando em uma experiência de uso mais eficiente e personalizada.
Expansão e Novos Horizontes no Mercado
Para além de otimizar setores já consolidados, a IA está desenhando novas fronteiras de oportunidades. Contudo, a aplicação prática da inteligência artificial ainda representa um desafio persistente para muitas atividades econômicas tradicionais. Liuri Loami, CTO da Jumpstart — startup especializada em assistência imigratória — destaca que a IA pode expandir-se e gerar valor em praticamente todos os mercados.
“Pense em um restaurante que opera apenas por delivery,” exemplifica Loami. “É possível ter modelos de IA dedicados a toda a comunicação no Instagram, atraindo novos clientes; outros que gerenciam a interação no WhatsApp, cuidam dos preços ou otimizam a demanda. Isso é perfeitamente viável, e não exige uma complexidade intransponível. O segredo está em organizar as peças e construir a estrutura adequada, algo aplicável a qualquer setor.”
Na Jumpstart, 95% dos códigos de programação são integralmente desenvolvidos com IA, o que elevou a velocidade de criação de software em cerca de dez vezes em apenas quatro anos, revela Loami. Essa otimização não implica, necessariamente, uma redução do volume de trabalho, mas sim uma gestão mais eficaz do tempo da equipe, permitindo foco em tarefas de maior valor agregado.
“Nosso trabalho se transformou drasticamente,” conta o CTO. “Hoje, coordenamos cerca de cinco IAs simultaneamente, que implementam diversas possibilidades de forma autônoma. Embora tenhamos que monitorar e responder a algumas questões durante processos que podem durar de duas a quatro horas para funcionalidades maiores, esse modelo nos liberta para realizar outras atividades estratégicas.”
Contudo, a mesma tecnologia que resolve problemas antigos cria novos desafios. A falta de acesso a dados internos das empresas, por exemplo, ainda limita a aplicação plena da IA em cenários reais. Nesse contexto, surgem novas vertentes de mercado focadas em solucionar esses obstáculos. Plataformas inovadoras propõem-se a intermediar ou fornecer soluções para que médios e pequenos negócios possam, enfim, explorar a IA de maneira mais efetiva.
Um exemplo é uma plataforma desenvolvida por brasileiros e estabelecida nos Estados Unidos, que busca conectar agentes de IA a documentos, planilhas, APIs e ferramentas internas das empresas. A proposta é simplificar drasticamente a implementação, eliminando pipelines complexos e reduzindo o tempo de meses para apenas alguns dias, democratizando o acesso à tecnologia. “A maioria dos agentes de IA ainda opera sem acesso aos dados que realmente importam,” afirma Arthur Guttilla, CEO da Tropicalia. “Nosso objetivo é fechar essa lacuna de forma simples e escalável, sem exigir infraestrutura complexa das equipes, permitindo que mais empresas aproveitem todo o potencial da inteligência artificial.”
No cenário nacional, uma pesquisa recente do Sebrae em parceria com o FGV Ibre (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas) revela que a aplicação da IA apresenta disparidades notáveis entre médias e grandes corporações e os pequenos negócios. O levantamento aponta que 63% das médias e grandes empresas já integram a IA diretamente em suas operações. Contudo, essa adoção diminui para 46% nas médias e pequenas empresas e para 42% entre os MEIs (Microempreendedores Individuais), evidenciando um desafio de inclusão para os menores empreendimentos.
Apesar do avanço considerável da IA em um segmento importante das empresas brasileiras, a pesquisa conclui que ainda existe um vasto potencial inexplorado para a expansão e a democratização dessas aplicações em todo o ecossistema de negócios do Brasil.
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