IA TRANSFORMA EDUCAÇÃO
IA no Ensino: Especialistas Alertam para Adaptação de Métodos Diante de Novas Competências
O Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (PISA) incluirá letramento em mídia e IA em 2029. Especialistas defendem foco em pensamento crítico e resolução de problemas, em vez de apenas memorização.
A crescente inserção da inteligência artificial (IA) nos ambientes escolares impulsiona um debate urgente sobre a adaptação dos métodos de ensino. Especialistas apontam que o principal obstáculo reside na necessidade de transmutar um sistema educacional ainda predominantemente focado em memorização e avaliações tradicionais. Nesta quarta-feira, 17/06/2026, a relevância do tema se intensifica com a divulgação de uma prévia do PISA, que a partir de 2029 passará a contemplar a abordagem "MAIL" (sigla em inglês para letramento em mídia e inteligência artificial).
Competências como letramento em IA e alfabetização midiática ganham proeminência, contrastando com métodos de ensino que ainda priorizam provas e vestibulares. Em entrevista à CNN Brasil, Ademar Celedônio, diretor de Ensino e Inovações Educacionais da Arco Educação, detalhou o conceito de "miopia do vestibular". Este termo descreve a dificuldade de muitas instituições em incorporar novas competências essenciais para o cenário digital, em detrimento de modelos pedagógicos antiquados.
"É evidente que o desempenho no Enem e outros vestibulares é muito importante, e isso está muito forte dentro da missão da escola. Mas o problema surge quando você usa isso como única régua", explicou Celedônio. "Nesse modelo, competências essenciais para o século 21 acabam ficando em segundo plano, e elas são cruciais na vida desse aluno quando chegar no mercado de trabalho."
Celedônio defende a incorporação de habilidades como pensamento crítico, resolução de problemas complexos, alfabetização e letramento em IA, criatividade e colaboração. Essas competências, alinhadas às diretrizes do PISA, buscam ampliar o escopo do desenvolvimento estudantil, com grande ênfase no uso ético das novas tecnologias.
Em resposta a essa necessidade, a Arco Educação lançou o programa "Programa Competências Globais". O projeto visa auxiliar instituições de ensino a mensurar e acompanhar a evolução de competências amplas nos alunos, oferecendo diagnóstico personalizado, formações pedagógicas e planos de ação baseados em dados.
"O diagnóstico escola a escola dá consciência das necessidades e, ao oferecer dados comparativos internacionais, passamos a ter referenciais de excelência, e é para lá que devemos mirar", comentou Camila Karino, diretora de Avaliação da Arco Educação. "Priorizar um olhar integral da escola e desenhar planos estratégicos de longo prazo é difícil diante de tantas demandas do dia a dia da escola."
Karino também abordou a questão dos alunos que utilizam IA para burlar avaliações. "A busca por mecanismos para burlar o processo avaliativo esteve sempre presente no dia a dia das escolas, e novas tecnologias sempre foram utilizadas sabiamente pelos alunos a seu favor", defendeu. "Em todos esses momentos, travamos a briga errada."
Para a especialista, a persistência de estudantes em buscar formas de contornar as avaliações, utilizando tecnologias cada vez mais avançadas, deve servir como um alerta para os educadores sobre a necessidade de reformular os modelos avaliativos. As novas tecnologias, em vez de serem vistas como um obstáculo, devem ser integradas como ferramentas para o desenvolvimento de habilidades existentes e emergentes.
"A avaliação não deve ser um meio para “forçar” o aprendizado, mas para “potencializar”, concluiu Karino.
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