SAÚDE FEMININA AVANÇA

IA na mamografia pode prever risco cardíaco, revelam pesquisadores dos EUA

Mulher com a mão no peito, ilustrando preocupação com a saúde cardíaca e de mama.
Foto colorida de mulher com a mão no peito - Metrópoles

Estudo publicado em março no European Heart Journal aponta nova ferramenta para prevenir infarto e AVC em mulheres.

Um estudo promissor, publicado em março no European Heart Journal, revoluciona a forma como encaramos a mamografia ao revelar seu potencial além do rastreamento do câncer de mama. Pesquisadores dos Estados Unidos constataram que, com o apoio da inteligência artificial (IA), este exame tradicional pode identificar sinais precoces de doenças cardiovasculares, um avanço que pode impactar diretamente a saúde de milhares de mulheres, oferecendo uma nova camada de proteção contra condições que matam muito mais que tumores de mama, conforme alertam especialistas nesta quinta-feira, 07/05/2026.

A pesquisa analisou dados de 123.762 mulheres que realizaram mamografias de rotina e não possuíam histórico de doença cardiovascular. A IA foi crucial para medir a presença de depósitos de cálcio nas artérias mamárias. Essas calcificações, muitas vezes associadas ao envelhecimento e ao enrijecimento dos vasos sanguíneos, estão ligadas a um maior risco de eventos como infarto, acidente vascular cerebral (AVC) e insuficiência cardíaca.

A cardiologista Sofia Lagudis, do Einstein Hospital Israelita, celebra a notícia: “O estudo traz uma boa notícia, pois pesquisas mostram que as mulheres temem o câncer de mama, mas não têm tanta consciência de risco cardíaco que mata muito mais do que um tumor nessa parte do corpo. Por isso, elas fazem muito mais mamografias do que exames preventivos do coração.” Para a médica, integrar esse novo olhar à rotina de exames cardiovasculares poderia fornecer informações valiosas para identificar precocemente a doença aterosclerótica, auxiliando na estratificação de risco e na orientação de medidas preventivas personalizadas.

Contudo, a comunidade científica pede cautela. O cardiologista Tito Paladino, da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), ressalta que, apesar do potencial, “não se justifica a solicitação de uma mamografia com o objetivo primário de investigar doença coronária, uma vez que existem métodos diagnósticos mais específicos e direcionados para essa finalidade, especialmente no contexto de suspeita clínica, apesar de o exame das mamas apontar informações importantes nesse caso.”

É fundamental compreender que o acúmulo de calcificação nas artérias, detectado na mamografia, não indica diretamente eventos coronários. Ele é, na verdade, um reflexo de um processo mais amplo de aterosclerose sistêmica no organismo. Por isso, a necessidade de mais investigações é um consenso.

“Ainda é imprescindível validá-los em mais estudos, adaptar a ferramenta de IA ao equipamento convencional de mamografia, bem como avaliar a capacidade dos diversos aparelhos que fazem o exame em fornecer informação adequada”, complementa Lagudis, enfatizando a importância de aprofundar esses achados para uma aplicação clínica robusta.

Fatores de risco: a importância da prevenção

A calcificação das artérias é um processo cumulativo e irreversível. Por isso, a Dra. Lagudis orienta um controle rigoroso dos fatores de risco. Manter a pressão arterial, glicemia e colesterol em níveis saudáveis; evitar fumar e o consumo excessivo de álcool; seguir uma alimentação equilibrada; praticar atividade física regularmente e preservar um peso saudável são ações protetivas essenciais para a saúde do coração.

Para as mulheres, essa atenção se intensifica com a chegada do climatério e o avanço da idade. Nesses períodos, a proteção hormonal diminui naturalmente, e o risco cardiovascular tende a aumentar, tornando a prevenção ainda mais vital.

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