FUTURO DAS URNAS

IA e desinformação serão o centro das eleições de 2026, prevê Erick Pereira

Erick Pereira, advogado eleitoral e professor da UFRN, discute o uso da inteligência artificial e a desinformação nas eleições de 2026.
Erick Pereira, professor da UFRN, em entrevista sobre o impacto da IA nas eleições de 2026.

Professor da UFRN destaca impacto da inteligência artificial e regras para impulsionamento, cruciais para a integridade do pleito.

O cenário eleitoral de 2026 será profundamente impactado pelo uso da inteligência artificial (IA) e pelo combate à desinformação, conforme a avaliação do advogado eleitoral e professor da UFRN, Erick Pereira. Em entrevista à Mix FM nesta segunda-feira, 27 de abril de 2026, ele destacou que a tecnologia desponta como o principal motor das campanhas, mas também como o alvo central da fiscalização da Justiça Eleitoral. A discussão sobre a IA e a desinformação é crucial para garantir a integridade democrática e o direito do eleitor a uma escolha informada, protegendo a dignidade do processo eleitoral. "A principal regra eleitoral é o cuidado com a desinformação, esse é o grande ponto", afirmou Pereira. "O uso da IA para a propaganda negativa está proibida." Ele explicou que a tecnologia pode ser utilizada para conteúdos positivos, impulsionando a comunicação das candidaturas, mas nunca para ataques que possam confundir ou enganar o eleitor. Segundo Erick Pereira, o impacto da ferramenta será sentido imediatamente no período oficial de campanha. "De 16 de agosto em diante, o uso da IA vai ser o grande instrumento dessa campanha", declarou, salientando que episódios recentes envolvendo sátiras com ministros do Supremo Tribunal Federal já antecipam a complexidade do ambiente eleitoral. "Isso, digamos assim, é um spoiler do que vocês irão ver." Ele também enfatizou que o ambiente digital será decisivo para o resultado das urnas, moldando a percepção pública e influenciando diretamente o alcance dos pré-candidatos. Para o professor, o uso de algoritmos e impulsionamentos já determina quem ganha visibilidade. O advogado alertou para as rigorosas regras no ambiente digital, especialmente quanto ao impulsionamento de conteúdos. "Impulsionar é algo que gerou responsabilidade de tipo penal. Você não pode impulsionar notícias falsas, nem negativas", frisou, destacando a seriedade das penalidades para quem infringir a lei. Na análise sobre comunicação política, Erick Pereira observou uma diferença de desempenho entre campos ideológicos nas redes sociais. "Hoje a direita se comunica muito melhor nas redes sociais do que a esquerda", avaliou, adicionando que o perfil da militância digital sofreu uma transformação. "Hoje a militante virtual está toda com a direita." Apesar do peso das redes, Pereira sublinhou que os meios tradicionais, como rádio e TV, ainda possuem um papel relevante, mas atingem públicos distintos. "Essa questão de rádio, TV e redes sociais são segmentos de idade", esclareceu. O especialista também analisou o sistema eleitoral brasileiro, classificando a legislação como robusta, apesar de falhas na aplicação. "Ela é muito eficiente. Nós temos uma das normas mais protetoras", disse. Contudo, para ele, o problema central não reside na ausência de regras, mas na sua efetividade. "O que precisa ter é eficácia, cumprimento dessas normas." Ele criticou a vasta quantidade de legislação no País, que soma "6,5 milhões de normas", e apontou que a produção incessante de leis não resolve problemas estruturais. "Você não muda cultura de um povo com normas." O professor também sublinhou a responsabilidade do eleitor na qualidade da política. "O mandatário é o representante que você escolhe. Quando você escolhe um mandatário ruim, você vai estar fadado a ser governado por maus gestores", advertiu, ressaltando o poder de transformação nas mãos de cada cidadão. Sobre pesquisas eleitorais, Erick Pereira afirmou que são ferramentas indispensáveis, mas que exigem extrema responsabilidade na divulgação e interpretação. "Você não faz hoje nenhuma eleição, no mundo, sem ter pesquisa", disse. Ele alertou para o uso estratégico de levantamentos durante campanhas e para o risco de distorção da percepção pública, um fator que pode desequilibrar o processo democrático.

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