POLÍTICA EM RISCO
Hugo Motta critica distanciamento entre visões políticas no Brasil
Presidente da Câmara aponta que as divergências limitam o diálogo e a busca por consensos, enquanto o mundo enfrenta "turbulências e interrogações".
O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), expressou nesta segunda-feira, 1º de junho de 2026, uma preocupação central sobre o cenário político brasileiro: o crescente afastamento entre as diversas posições e perspectivas. Segundo Motta, essa dinâmica social e política "acaba por limitar os espaços de diálogo e convergência em torno de interesses permanentes e de longo prazo", um obstáculo significativo para o avanço do país.
As declarações foram proferidas durante a abertura do 14º Fórum de Lisboa, um evento realizado em Portugal e que tem como anfitrião o decano do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes. Em um contexto global marcado por "turbulências e interrogações" sobre o rumo da humanidade, o deputado ressaltou a necessidade de adaptação de pessoas e instituições.
Motta destacou a aparente impotência das instituições internacionais em "contrabalançar com diálogo e negociação o ressurgimento da geopolítica como fio condutor das relações entre as nações". Citando o Oriente Médio como exemplo, alertou que a multiplicação de crises e conflitos gera "sérias consequências" para os países afetados.
Diante deste cenário desafiador, o presidente da Câmara assegurou que o Legislativo tem se empenhado em "navegar nesses mares agitados". Como exemplos de ações concretas, mencionou a aprovação de projetos importantes como a reforma tributária sobre o consumo e a renda, e o fim da escala 6x1 na jornada de trabalho. Essa última medida, segundo ele, buscou um "compromisso equilibrado e eficaz entre o imperativo desenvolvimento econômico e o bem-estar das trabalhadoras e dos trabalhadores brasileiros", em sintonia com as novas realidades do mundo do trabalho.
A inteligência artificial também foi tema de discussão, com Motta afirmando que o Brasil discute um marco legal para que essa tecnologia "prospere no Brasil como ferramenta para o progresso geral com respeito às liberdades" dos cidadãos.
O 14º Fórum de Lisboa
O evento, que ocorre de 1º a 3 de junho na Universidade de Lisboa, aborda o tema "Nova ordem internacional, tecnologia e soberania: desafios democráticos, econômicos e sociais". O Fórum deste ano estabeleceu um recorde de participação, com 450 inscritos, um aumento em relação aos 360 de 2025. A presença de autoridades brasileiras apresentou uma queda geral, com exceção do Legislativo, que ampliou em dois o número de congressistas em comparação ao ano anterior. Essa mudança reflete a globalização do tema central do encontro.
O 14º Fórum de Lisboa conta com o Alto Patrocínio da Presidência da República Portuguesa, uma chancela de reconhecimento e prestígio institucional concedida pelo presidente português a iniciativas de especial interesse público e relevância cívica, cultural, científica, social ou econômica para Portugal. Segundo a organização, a distinção reconhece a relevância do evento e sua contribuição para o fortalecimento do debate democrático e a reflexão sobre os desafios contemporâneos.
O evento reunirá personalidades como Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central; Magda Chambriard, presidente da Petrobras; e Aloízio Mercadante, presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social. Entre os empresários confirmados estão André Esteves, Fábio Chilo, Luiza Trajano, Luiz Carlos Trabuco Cappi, Ricardo Faria, Fábio Gaspar, Eduardo Lopes, Anderson Baranov e Eduardo Sattamini.
Jantares e debates
Durante o evento, encontros privados como festas e jantares são oferecidos por representantes de empresas privadas a participantes, gerando críticas sobre a proximidade com integrantes do Poder Judiciário. Gilmar Mendes, contudo, defende a importância desses eventos, argumentando que permitem aos magistrados refletir sobre temas contemporâneos e trocar experiências, aprimorando o exercício da magistratura.
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