CÂMARA RECUSA PROJETO
Hugo Motta afirma que Câmara não pautará 'pauta-bomba' do agro aprovada no Senado
Presidente Hugo Motta sinaliza a aliados que não colocará em votação a proposta de renegociação de dívidas rurais aprovada pelo Senado, vista como de alto impacto fiscal.
O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), comunicou a aliados nesta quarta-feira, 17/06/2026, sua decisão de não pautar o projeto de renegociação de dívidas rurais aprovado pelo Senado na semana passada. A medida é considerada uma "pauta-bomba fiscal" pelo governo federal.
A equipe econômica do governo estima um impacto de R$ 140 bilhões em 13 anos. Contudo, a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) contesta esse valor, projetando os custos em R$ 65 bilhões para o mesmo período.
Em conversas com interlocutores, Motta classificou a medida como "impagável", ressaltando a necessidade de estabelecer limites para as pautas de socorro ao agronegócio. Ele afirmou que não é viável aprovar todas as demandas da bancada ruralista.

O projeto em questão estabelece uma linha especial de crédito rural para renegociação de dívidas de produtores. Originalmente, quando tramitou na Câmara dos Deputados no ano passado, a proposta era restrita a agricultores do Rio Grande do Sul, afetados por enchentes e estiagens.
Durante a votação na Câmara, houve uma tentativa da bancada ruralista de estender o benefício a estados do Nordeste. Apesar de ser natural da Paraíba, Motta conteve a ampliação, ponderando o alto impacto fiscal.
Antes da aprovação no Senado, o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), contatou Motta para questionar sobre a pauta na Câmara. Segundo aliados do deputado, Motta respondeu que desconhecia o texto do Senado e não se comprometia com a votação.
Hugo Motta — Foto: Marina Ramos / Câmara dos Deputados
Apesar do apelo do governo para que o projeto não fosse pautado, Alcolumbre o incluiu na ordem do dia do Senado.
Motta também tem expressado a interlocutores seu incômodo com a influência do desgaste entre o presidente Lula e Alcolumbre nas votações do Congresso, especialmente após a rejeição de Jorge Messias a uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF).
O presidente da Câmara defendeu, entre conversas com aliados, a importância de uma reconciliação entre o governo e a presidência do Congresso, afirmando que "o presidente da República não pode ficar sem falar com o presidente do Congresso."
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