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Hugo Motta adia votação do PL das dívidas rurais até o recesso, sinaliza para aliados

Foto de Hugo Motta, Presidente da Câmara dos Deputados.
Presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, sinalizou o adiamento da votação de projeto de lei sobre dívidas rurais.

Presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, indicou que o projeto que oferece linha especial para renegociação de dívidas rurais não deve ser pautado antes do recesso parlamentar.

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), indicou a interlocutores que não deve pautar, antes do recesso parlamentar, o projeto de lei que visa criar uma linha especial para renegociação de dívidas de produtores rurais. A decisão surge após o texto ter sido aprovado pelo Senado e demonstra resistência à proposta, que busca amparar agricultores afetados por eventos climáticos e que enfrentam dificuldades econômicas.

Em conversas reservadas, Motta sinalizou a aliados que a medida precisa de limites fiscais claros e que não há espaço para aprovar todas as demandas apresentadas pela bancada ruralista. A decisão, comunicada nesta quarta-feira, 17/06/2026, impacta diretamente os produtores rurais que aguardavam a possibilidade de renegociar débitos contraídos entre 2019 e 2025. O adiamento joga uma sombra sobre a expectativa de socorro financeiro imediato, levantando preocupações sobre a sustentabilidade do setor diante das incertezas climáticas e econômicas.

Integrantes da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) planejavam uma reunião com Hugo Motta para a próxima semana, com o objetivo de acelerar a votação na Câmara antes do recesso. O projeto, apelidado de "Refis do Agro", já havia superado meses de negociações entre governo, parlamentares e representantes do agronegócio no Senado.

A proposta busca oferecer uma saída para agricultores que registraram perdas significativas devido a eventos climáticos e dificuldades financeiras. No entanto, o Ministério da Fazenda, sob a gestão do ministro Dario Durigan, expressou preocupação com os impactos fiscais. Cálculos indicam que o valor das operações alcançadas pode chegar a R$ 200 bilhões, com um custo potencial de até R$ 140 bilhões para o Tesouro Nacional ao longo dos anos.

Por ter sofrido alterações no Senado, o texto precisa retornar à Câmara para nova análise antes de seguir para sanção presidencial. O adiamento para após o recesso pode enfrentar obstáculos adicionais, considerando o calendário eleitoral e a tendência de redução no ritmo de votações no segundo semestre, o que dificulta o avanço de matérias consideradas sensíveis.

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