SAÚDE EM COLAPSO

HRT de Brasília: Caos e superlotação forçam internação de pacientes em consultórios

Pacientes em macas no corredor de um hospital, com infraestrutura deteriorada e superlotação.
Imagens revelam a precariedade e a superlotação no Hospital Regional de Taguatinga (HRT).

Fotografias de 07/05/2026 e relatos expõem deterioração e desrespeito à dignidade no Hospital Regional de Taguatinga.

Um cenário alarmante de superlotação e precariedade no Hospital Regional de Taguatinga (HRT), em Brasília (DF), veio à tona nesta quinta-feira, 07/05/2026, por meio de imagens e relatos exclusivos obtidos pela coluna. A situação expõe pacientes internados em consultórios e uma estrutura física em deterioração, gerando sérias preocupações sobre a dignidade do atendimento e a segurança dos usuários do sistema público de saúde.

As denúncias descrevem um ambiente de caos, com infraestrutura comprometida e atendimento desafiador. As fotografias, capturadas nesta quinta-feira, 07/05/2026, mostram corredores abarrotados e salas originalmente destinadas a consultórios médicos sendo improvisadas como leitos de internação, prejudicando tanto o funcionamento dos atendimentos especializados quanto a recuperação dos pacientes. Além disso, as imagens revelam paredes com sérios sinais de desgaste e deterioração.

Paciente deitado em maca em corredor superlotado de hospital, com paredes deterioradas no HRT.

A angústia dos pacientes e seus familiares é palpável. Uma mulher, cuja tia está internada desde abril, compartilhou a via-sacra familiar. A paciente deu entrada no pronto-socorro após uma queda que resultou em fratura do fêmur e, passadas semanas, ainda aguarda uma cirurgia ortopédica, sem qualquer previsão de data. "Quando chegamos ao hospital, fomos informados de que o ortopedista estava em cirurgia e o atendimento só normalizaria na troca de plantão. Chegamos lá às 14h30 e a troca era às 19h. O corredor do HRT estava lotado, com paciente ensanguentado aguardando atendimento e pacientes sem nenhuma ligação dividindo maca", relatou ela, evidenciando a desorganização e a falta de respeito ao espaço individual.

Ainda segundo a acompanhante, a ala feminina de internação opera muito acima de sua capacidade. "Era um setor com espaço para 12 leitos e tinha 27 macas dos pacientes e os acompanhantes dividindo espaço", desabafou. Diante da ausência de acomodações adequadas para os acompanhantes, alguns foram obrigados a passar a noite na mesma cama que seus entes queridos, uma situação que compromete a privacidade, o conforto e a higiene de ambos.

Paredes descascando e infraestrutura deteriorada em hospital.

Outra preocupação grave diz respeito à segurança. Pacientes do sexo masculino, identificados com tornozeleira eletrônica, são frequentemente vistos circulando pelos corredores do hospital sem qualquer escolta policial. Essa falha de vigilância coloca em risco a equipe, outros pacientes e seus acompanhantes.

A precariedade se estende à rotina hospitalar, com dificuldades para a realização de exames, escassez de materiais básicos e longos atrasos em procedimentos cirúrgicos essenciais. A situação é agravada pela resistência de alguns servidores em se identificarem durante o atendimento. "Funcionários não dão o nome para evitar denúncia na Ouvidoria. Conversei com três ‘Marias’ que não tinham sobrenome. Nenhum médico quer preencher o relatório necessário ‘porque não querem se envolver’", contou a denunciante, revelando um ambiente de temor e burocracia excessiva que impede a responsabilização e a melhoria do serviço.

Procurada pela coluna, a Secretaria de Saúde do Distrito Federal reconheceu que, em momentos de superlotação no pronto-socorro e escassez de leitos, "alguns pacientes podem permanecer temporariamente em consultórios enquanto aguardam transferência". A pasta classificou essas ocorrências como "esporádicas, monitoradas continuamente pelas equipes assistenciais e administrativas, e geralmente solucionadas em poucas horas, com a transferência do paciente para leito apropriado". No entanto, a descrição da Secretaria diverge drasticamente dos relatos e imagens obtidos, que apontam para uma situação crônica e não pontual.

A Secretaria de Saúde também refutou a alegação de que presos circulam sem escolta policial, afirmando que "todos os fluxos relacionados à custódia e à segurança seguem rigorosamente os protocolos institucionais e as normativas vigentes". Quanto aos acompanhantes utilizando as camas dos pacientes, a pasta informou que o pronto-socorro oferece poltronas específicas e que os acompanhantes são "orientados continuamente a não utilizarem os leitos hospitalares para descanso", sugerindo que a responsabilidade recai sobre os próprios usuários, e não sobre a falta de infraestrutura.

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