INOVAÇÃO MÉDICA URGENTE

Hong Kong desenvolve spray que reduz danos de AVC

Spray reduz danos do avc | notícias do rio grande do norte spray
Spray que atua contra o AVC.

Pesquisadores da HKUMed criam nanopartículas que atravessam barreira cerebral, agindo em até 30 minutos pós-incidente.

Nesta terça-feira, 12 de maio de 2026, cientistas da Faculdade de Medicina LKS da Universidade de Hong Kong (HKUMed), em colaboração com o Centro de Instrumentação Biomédica Avançada (ABIC), anunciaram o desenvolvimento de um inovador spray nasal de nanopartículas. A tecnologia, que promete transportar medicamentos diretamente ao cérebro, visa reduzir os danos provocados por Acidentes Vasculares Cerebrais (AVC) isquêmicos e pode se tornar uma ferramenta crucial para atendimento emergencial, protegendo vidas e minimizando sequelas antes mesmo da chegada do paciente ao hospital.

O principal diferencial deste produto revolucionário reside na sua capacidade de contornar a barreira hematoencefálica, um sistema de defesa natural do cérebro que, ironicamente, impede a passagem da maioria dos fármacos. Graças a esta inovação, substâncias neuroprotetoras conseguem alcançar rapidamente as áreas cerebrais afetadas, dispensando procedimentos invasivos como cirurgias ou injeções.

O AVC isquêmico, tipo mais comum da doença, ocorre pela interrupção do fluxo sanguíneo para o cérebro. Atualmente, os tratamentos disponíveis enfrentam uma janela de tempo extremamente limitada e critérios clínicos rigorosos. Por essa razão, a maioria dos pacientes (mais de 85%) não recebe atendimento especializado a tempo, o que eleva dramaticamente o risco de sequelas permanentes e, em muitos casos, a morte. Mesmo aqueles que conseguem ser tratados em ambiente hospitalar frequentemente não recuperam totalmente suas funções motoras e neurológicas.

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A equipe dedicou mais de uma década ao desenvolvimento da plataforma tecnológica “nano-em-mícron”, que posteriormente foi adaptada para criar o NanoPowder Nasal Spray. Este esforço é um marco na busca por soluções mais eficazes contra o AVC.

“O spray nasal se destaca pela sua resposta rápida, portabilidade e facilidade de uso. Ele oferece aos pacientes proteção precoce a caminho do hospital ou até mesmo em casa, retardando significativamente a morte de células cerebrais em condições isquêmicas e preservando eficazmente os tecidos cerebrais ainda viáveis, o que compra um tempo valioso para tratamentos subsequentes,” explica Alvia Chow Shing-fung, professora do Departamento de Farmacologia e Farmácia da HKUMed e pesquisadora do ABIC.

A professora Alvia Chow Shing-fung também destaca a dificuldade enfrentada pelos tratamentos direcionados ao sistema nervoso central, principalmente devido à barreira hematoencefálica. Segundo ela, a taxa de insucesso de medicamentos para o cérebro supera os 90%, pois os compostos não conseguem atingir o tecido cerebral em quantidade suficiente para gerar os efeitos terapêuticos desejados.

Para superar esse obstáculo, os cientistas encapsularam agentes neuroprotetores em nanopartículas. Em seguida, empregaram técnicas de engenharia para transformá-las em partículas inaláveis de tamanho micrométrico. Após a inalação, essas partículas se depositam na cavidade nasal, entram em contato com o muco, desintegram-se rapidamente em nanopartículas e, então, percorrem o trajeto do nariz até o cérebro, transpondo a barreira de proteção.

Testes pré-clínicos realizados em animais revelaram resultados promissores: a administração do spray nos primeiros 30 minutos após o início do AVC reduziu em mais de 80% os danos provocados pelo infarto isquêmico. Além disso, o tratamento contribuiu para preservar funções motoras e neurológicas, um avanço significativo na recuperação dos pacientes.

O estudo aponta ainda que a tecnologia é capaz de diminuir processos inflamatórios no cérebro e prevenir a apoptose celular, ou seja, a morte programada das células. Essa dupla ação amplia a proteção aos tecidos cerebrais e pode estender o tempo disponível para intervenções médicas posteriores, oferecendo uma janela de oportunidade maior para os especialistas.

Shao Zitong, pesquisador de pós-doutorado no ABIC, enfatiza que a intenção da tecnologia não é substituir os tratamentos hospitalares já existentes, mas sim atuar como uma medida emergencial complementar. “Após um AVC, cada segundo é crucial. Mesmo dez minutos adicionais de proteção cerebral podem determinar se um paciente será capaz de andar ou falar no futuro. O principal avanço desta tecnologia está em transferir o tratamento do AVC do ambiente hospitalar para o estágio pré-hospitalar”, detalha Zitong.

Atualmente, os pesquisadores planejam avançar para estudos toxicológicos e ensaios clínicos, etapas essenciais para avaliar a segurança e a eficácia do produto em seres humanos. A meta da equipe é transformar o spray em uma solução acessível, apta para ser utilizada em ambulâncias, serviços de emergência e kits de primeiros socorros em um futuro próximo.

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