ERRO DE IDENTIFICAÇÃO
Homem solto no RN após ser preso por erro de identificação
Cícero Silva de Araújo estava preso desde 6 de maio, acusado de tentativa de homicídio em 1996. Família alega que o verdadeiro autor é o irmão dele, que já teria confessado.
Cícero Silva de Araújo foi solto nesta quinta-feira, 21 de maio de 2026, após ser preso por um suposto erro de identificação. A decisão, que beneficia o homem detido desde 6 de maio, foi motivada pela alegação de sua família e defesa de que ele foi confundido com o verdadeiro autor de uma tentativa de homicídio ocorrida em 1996. A soltura importa para a dignidade de Cícero e sua família, que vivenciaram um período de angústia e sofrimento pela prisão indevida, evidenciando a necessidade de atenção aos processos de identificação criminal e a prevenção de falhas que afetam vidas.
Apresentado como autor de uma tentativa de homicídio na Barra Funda, Zona Oeste de São Paulo, Cícero Silva de Araújo teve sua liberdade restaurada após um período de quase duas semanas detido. Segundo familiares, o crime teria sido cometido pelo irmão dele, que, de acordo com a defesa, já teria confessado o delito e permanece em liberdade. O caso levanta questionamentos sobre a precisão dos métodos de identificação utilizados e o impacto de erros no sistema de justiça criminal.
A filha de Cícero, Joyce Oliveira, expressou o alívio da família com a soltura do pai. "Sempre soubemos da inocência do meu pai. Nossa aflição maior era em relação ao tempo que ele poderia permanecer preso injustamente. Depois de treze dias vivendo esse pesadelo, da morosidade do sistema prisional de SP e daqui do RN poder vê-lo retornar para casa e sendo recebido por todos que o amam foi de uma alegria imensa. Foi a certeza de que esse pesadelo passou e o quanto é querido e amado por todos nós", declarou. Ela acrescentou: "Mainha e painho dormem e acordam juntos há 30 anos, nós, os sete irmãos, não conhecemos uma vida sem ele. Iremos demorar um pouquinho para voltar à normalidade e superar esse trauma, mas temos certeza do amor que nos une e que iremos juntos conseguir."

Conforme relatado pelos familiares, Cícero Silva de Araújo trabalhou por mais de 30 anos como auxiliar de serviços gerais e reside no bairro Bom Pastor, Zona Oeste de Natal, desde a infância. A família assegura que ele nunca deixou o Nordeste e não possui antecedentes criminais. A prisão ocorreu em cumprimento a um mandado expedido pela Justiça de São Paulo. "Meu pai nunca foi em São Paulo na vida dele. Ele mora no mesmo endereço desde que nasceu, sempre trabalhou aqui e criou sete filhos. Mesmo assim, está preso por um crime que não cometeu", afirmou Joyce Oliveira.

A defesa sustentou que o irmão do indivíduo preso utilizava os documentos de Cícero em São Paulo durante a década de 1990. A advogada da família, Débora Gurgel, informou que o homem registrou a perda dos documentos na época, mas seu irmão continuou a usá-los. "Assim que ele percebeu que havia perdido os documentos, registrou boletim de ocorrência e tirou novos documentos. Mas o irmão continuou usando a identidade dele em São Paulo, inclusive para trabalhar", explicou a advogada. A defesa também mencionou que, anos atrás, Cícero já havia sido chamado para prestar esclarecimentos e conseguiu comprovar sua inocência. Contudo, a prisão foi novamente decretada este ano. "O verdadeiro autor confessou o crime espontaneamente e está em liberdade", disse Débora Gurgel. Adicionalmente, segundo a família, Cícero é pessoa com deficiência, submeteu-se recentemente a uma cirurgia nas pernas e requer cuidados médicos contínuos.
O Tribunal de Justiça de São Paulo foi contatado pela Inter TV Cabugi para comentar o caso, mas não emitiu resposta até a última atualização desta reportagem. A decisão de soltura, portanto, não é definitiva, e a possibilidade de recursos por parte da acusação ou de novas investigações pode impactar o andamento do caso.
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