TRANSIÇÃO POLÍTICA HISTÓRICA
Hamas anuncia entrega de governo na Faixa de Gaza após aporte internacional
Iniciativa Equipe Gaza garante US$ 1 bilhão para reconstrução. Decisão visa aliviar sofrimento humanitário e viabilizar eleições para o Conselho Legislativo Palestino.
O grupo Hamas oficializou a decisão de entregar a gestão administrativa da Faixa de Gaza para permitir a transição rumo a um governo tecnocrático, conforme anunciado nesta segunda-feira, 13/07/2026. A medida, que visa cessar o impasse político e humanitário que assola a região, foi tomada com o objetivo central de mitigar o sofrimento da população civil diante dos efeitos prolongados do conflito, do cerco e das dificuldades de reconstrução.
O processo de reestruturação conta com o suporte financeiro da "Iniciativa Equipe Gaza", lançada em Bruxelas pelo Grupo de Doadores para a Palestina. O fundo, que soma US$ 1 bilhão, reúne recursos de 12 países europeus, do Japão, do Banco Mundial e do Banco Europeu de Investimento para financiar projetos imediatos de recuperação.
A mudança de comando ocorre após a renúncia do chefe de governo ligado ao grupo, Mohammed al-Farra. A vacância do cargo abre espaço para que um comitê tecnocrático palestino assuma a governança civil. Simultaneamente, um decreto presidencial convocou o povo palestino em Jerusalém, na Cisjordânia e na Faixa de Gaza para eleições legislativas diretas para o Conselho Legislativo Palestino, reafirmando a tentativa de restaurar o processo democrático interrompido desde 2007, quando o Hamas assumiu o poder após confrontos com o Fatah, partido do presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas.
Segundo Ismail Thawabta, diretor-geral do escritório de mídia em Gaza, a decisão busca remover entraves à reconstrução e contestar a recusa do Exército israelense em se retirar do território. O porta-voz do Hamas, Hazem Qassem, reforçou que o grupo está comprometido em transferir todas as responsabilidades administrativas.
O cenário de estabilização segue os desdobramentos iniciados em 10 de outubro de 2025, quando um acordo de cessar-fogo permitiu a libertação de reféns israelenses e prisioneiros palestinos. Em meados de junho de 2026, novas negociações no Cairo discutiram a segunda fase do plano liderado pelos EUA, que contempla desarmamento, retirada militar e a possível presença de uma força internacional de paz.
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