JUROS ALTOS CRITICADOS

Haddad cobra juros menores e defende PEC 6x1 por trabalhadores

Haddad cobra juros menores e defende PEC 6x1 por trabalhadores

Ex-ministro critica Selic em 14,50% e pede atenção ao Congresso Nacional para a jornada de trabalho.

O ex-ministro da Fazenda e pré-candidato ao governo de São Paulo pelo PT, Fernando Haddad, reforçou a cobrança por uma redução mais significativa dos juros no Brasil, mesmo após o recente corte da taxa Selic. Nesta sexta-feira, 1º de maio de 2026, Haddad argumentou que o atual patamar dos juros é excessivamente elevado e sufoca a economia, impactando diretamente o poder de compra da população e os investimentos. Suas declarações ocorreram durante as celebrações do Dia do Trabalho, em São Bernardo do Campo, em São Paulo, onde também defendeu a pauta dos trabalhadores no Congresso Nacional.

Em um evento marcado pela defesa dos direitos laborais, Haddad não hesitou em criticar a política monetária. "Eu não canso de dizer que os juros estão muito altos, não há necessidade disso", afirmou. Ele reconheceu o "episódio grave" da "guerra do Trump", apontando-o como um fator externo que "atrapalha o mundo inteiro", mas ressaltou que, mesmo com este cenário, "já dava para ter caído mais os juros", deixando clara a urgência por medidas que aliviem o bolso do cidadão e estimulem a atividade econômica.

O posicionamento de Haddad ocorre poucos dias depois que o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, em sua reunião na última quarta-feira, 29 de abril de 2026, decidiu cortar a taxa Selic pela segunda vez consecutiva. O corte foi de 0,25 ponto percentual, levando a taxa básica de juros de 14,75% para 14,50%. Apesar da movimentação, Haddad mantém a percepção de que a redução é insuficiente diante da realidade econômica do país.

Além da economia, o ex-ministro também se manifestou sobre as "derrotas recentes no Congresso", especificamente em relação ao andamento da Proposta de Emenda à Constituição (PEC 6X1), que trata da jornada de trabalho. A pergunta surgiu no contexto da negação da indicação de Jorge Messias, advogado-geral da União, para o Supremo Tribunal Federal (STF) pelo Senado, uma indicação feita pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Haddad defendeu a separação das pautas, enfatizando que a PEC 6X1 é uma "demanda dos trabalhadores". "Nós estamos no 1º de maio para celebrar as conquistas deste governo, mas para colocar também perante o Congresso Nacional, que são os representantes dos trabalhadores, o que é imperioso agora, que é enfrentar essa coisa da jornada de trabalho", declarou, reiterando a importância de avançar com as discussões que podem impactar diretamente as condições de trabalho e a qualidade de vida de milhões de brasileiros.

O pré-candidato ainda comentou a crítica do ex-ministro e pré-candidato à Presidência Aldo Rebelo (DC), que descreveu a economia brasileira como um "voo de galinha". Haddad lamentou a declaração, sugerindo que Rebelo "não está acompanhando os indicadores de crescimento" e que "derrapar desse jeito nessa idade" é algo que o entristece, dada a trajetória política que ele apreciava em Rebelo.

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