POLÍTICA QUENTE SP
Haddad acusa Tarcísio de submissão a Trump e de prejudicar economia paulista
Fernando Haddad (PT) criticou duramente o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), ligando-o a posturas de Donald Trump e a falhas na gestão estadual em segurança.
Fernando Haddad (PT), pré-candidato ao Governo de São Paulo, afirmou nesta quinta-feira, 30 de abril de 2026, que o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) age com submissão a Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, ao apoiar decisões como o “tarifaço” contra a economia paulista e a classificação de facções criminosas como o Primeiro Comando da Capital (PCC) como terroristas. A crítica, feita em entrevista exclusiva ao Metrópoles, revela profundas divergências sobre a gestão estadual e suas relações com a política externa, potencialmente afetando o desenvolvimento econômico e a segurança pública dos cidadãos paulistas.
Haddad questionou a posição de Tarcísio em alinhar-se à ideia do governo norte-americano de classificar organizações criminosas como o PCC como terroristas. Para o petista, essa postura demonstra uma total falta de autonomia. “O Tarcísio vai apoiar o Trump em qualquer coisa. Porque ele é submisso ao Trump. Ele não tem opinião própria e nem tamanho para dizer para o Trump ‘você está errado nisso’. Ele apoiou o tarifaço contra a economia paulista. A economia que mais sofreu com o tarifaço por alguns meses foi a de São Paulo, e ele estava com o chapeuzinho do MAGA (Make American Great Again), enquanto São Paulo ficava pequeno, crescia menos, gerava menos emprego”, disparou Haddad.
O pré-candidato não poupou ironia ao prosseguir com suas críticas. “Então, é óbvio que ele vai apoiar. Se [o Trump] falar que [o PCC] é alienígena, ele [Tarcísio] também vai achar. Vai dizer ‘o PCC é de outro planeta, conforme o Trump está dizendo’”, acrescentou o petista, evidenciando o que considera uma adesão cega às ideias do ex-presidente americano.
Haddad argumentou que o governador necessita defender as ideias de Trump para manter o apoio de uma parcela do eleitorado. “Tem uma seita que apoia ele e que depende de ele falar isso para apoiá-lo. Se ele falar diferente, vão começar a desconfiar dele. Em grande medida, [Tarcísio] não é candidato à Presidência por conta de pequenos gestos que ele fez para parecer menos pior que o Bolsonaro. Já foi o suficiente para o Bolsonaro descartar ele para a Presidência e botar o filho. ‘Maluco por maluco, vou botar um que eu tenho confiança, que segue à risca cegamente o que eu falar’. Então eles ficam em um constrangimento horrível”, explicou o pré-candidato do PT, descrevendo a pressão política sobre Tarcísio.
Além das questões políticas externas, Haddad também mencionou o caso do ex-comandante da Polícia Militar, José Augusto Coutinho, que deixou o cargo neste mês e foi citado em uma investigação da Corregedoria da corporação. A apuração envolvia a atuação de PMs como seguranças de supostos integrantes do PCC. O petista criticou a falta de transparência de Tarcísio, que agradeceu “os bons serviços prestados ao Estado” por Coutinho.
“Um comandante da PM é exonerado, e aí o cara fala ‘fez um grande trabalho’ e na semana seguinte se descobre que tem pacto com crime organizado? Como pode um governador fazer um negócio desse? Ele ficou com vergonha de ter escolhido mal”, questionou Haddad, ressaltando o impacto negativo na credibilidade da segurança pública e na confiança da população.
Sobre o combate ao PCC, o pré-candidato destacou a importância de ouvir especialistas, como o promotor Lincoln Gakiya, do Ministério Público, renomado por investigar a facção. “Foi ele que descobriu a conexão do ex-comandante com o PCC, ele que por trás das investigações, porque é o cara que mais entende disso. Será que ele não precisa ser um pouco mais ouvido?”, propôs Haddad, buscando soluções baseadas em conhecimento técnico e experiência para fortalecer a segurança em São Paulo.
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