IMPACTO GLOBAL

Guerra no Irã desacelera economia do Brasil, indica BC

Pessoas em um centro comercial, representando o movimento da economia brasileira.
Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

O IBC-Br registrou queda de 0,7% em março; setor de serviços foi o mais atingido com 0,8% de redução.

A economia brasileira registrou uma queda de 0,7% em março, um declínio significativo que coincide com o primeiro mês do conflito no Irã. Os dados, divulgados pelo Banco Central (BC) nesta segunda-feira, 18/05/2026, revelam o impacto das incertezas geopolíticas na vida cotidiana dos brasileiros, afetando investimentos, empregos e o poder de compra.

O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), conhecido por antecipar o desempenho do Produto Interno Bruto (PIB), apontou um recuo de 0,7% em relação a fevereiro. Esta retração reflete uma preocupação crescente, onde cada ponto percentual de queda se traduz em menos oportunidades e desafios adicionais para as famílias.

A diminuição da atividade econômica atingiu todos os setores analisados: a arrecadação de impostos, a agropecuária, a indústria e os serviços. Este último, essencial para a geração de empregos e o dia a dia da população, sofreu a maior redução, com uma queda de 0,8%, impactando diretamente prestadores de serviços e consumidores.

William Baghdassarian, professor do Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais (Ibmec), explica que o cenário econômico é fortemente impulsionado por expectativas. Com a instabilidade gerada pela guerra, empresas de todos os portes tendem a adiar investimentos e cortar gastos, o que desacelera o movimento econômico e compromete a recuperação.

“O mundo inteiro acaba sendo afetado por isso. Essa forma de ser afetada tem efeitos em cadeia”, afirma Baghdassarian. “Se você acredita que o combustível vai subir, você também acredita que a China vai ser afetada com isso. Se a China é afetada, a produção da China cai, ela importa menos. Logo se ela importa menos, o Brasil exporta menos. Então, você tem todo um efeito em cadeia, não por causa da guerra em si, mas pela expectativa. O medo de algo ruim acontecer é tão ruim quanto o algo ruim acontecer de fato.” Sua análise ressalta como a apreensão se materializa em perdas reais.

Baghdassarian reconhece a possibilidade de uma resolução para o conflito, mas alerta para outro fator de incerteza no panorama econômico: as próximas eleições. “Podemos ter, por exemplo, a resolução da guerra, mas com o aumento da incerteza política, o efeito prático será zero. Em política pública, para você conseguir isolar um efeito é muito difícil”, pondera o especialista, indicando que a volatilidade pode persistir.

Apesar dos números negativos registrados em março, o IBC-Br apresentou um avanço de 1,8% nos últimos 12 meses, conforme dados do Banco Central. Este dado, embora positivo, não diminui a preocupação imediata com a desaceleração observada no mês recente.

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