TRANSTORNOS DIÁRIOS
Greve paralisa sistema de trens suburbanos em Nova York
Negociações salariais falham e 3.500 trabalhadores da Long Island Rail Road cruzam os braços. A paralisação ocorre às vésperas de Memorial Day.
Cerca de 3.500 trabalhadores da Long Island Rail Road (LIRR), em Nova York, decidiram paralisar suas atividades neste sábado, 16 de maio de 2026, após o fracasso de longas negociações por um acordo salarial. Liderados por um grupo de cinco sindicatos, incluindo o International Brotherhood of Teamsters, os funcionários cruzaram os braços, interrompendo um dos maiores e mais movimentados sistemas de trens suburbanos dos Estados Unidos. A medida afeta diretamente a rotina de quase 300 mil passageiros diários e gera apreensão às vésperas do feriado prolongado de Memorial Day.
A paralisação teve como estopim a insatisfação dos trabalhadores, que estão há três anos sem reajustes salariais. Segundo Nick Peluso, vice-presidente nacional do sindicato Transportation Communications Union, a diferença entre as propostas salariais da Autoridade de Transporte Metropolitano de Nova York (MTA) e dos sindicatos era de aproximadamente 1%, um valor que, para os funcionários, representa anos de dignidade e poder de compra corroídos.
A MTA, responsável pela LIRR, confirmou a suspensão integral do serviço em seu site, alertando os usuários sobre a interrupção. Em comunicado nas redes sociais, a operadora orientou a população a evitar viagens não essenciais e, sempre que possível, optar pelo trabalho remoto, evidenciando o impacto generalizado na mobilidade e economia da região.
"Teremos um serviço limitado de ônibus fretados nos dias úteis para trabalhadores essenciais e para aqueles que não podem realizar teletrabalho", informou a MTA, buscando mitigar os transtornos para categorias indispensáveis e que não possuem alternativa de deslocamento ou jornada flexível.
Mark Wallace, presidente da Brotherhood of Locomotive Engineers and Trainmen, criticou a postura da gestão. "Esta greve não teria acontecido se a MTA e a LIRR tivessem oferecido aos nossos membros os termos razoáveis que o governo recomendou várias vezes", afirmou Wallace. Ele ainda desafiou a administração: "Esperamos que a LIRR leve a sério a situação em breve para evitar mais interrupções desnecessárias para centenas de milhares de nova-iorquinos. Eles sabem onde nos encontrar quando estiverem prontos: nas ruas."
As negociações continuam. O site da MTA indicou que seus líderes permanecem abertos ao diálogo para encontrar uma solução. Contudo, a governadora de Nova York, Kathy Hochul, que busca a reeleição este ano, expressou sua frustração com o impasse. "Durante semanas, a MTA tentou negociar de boa-fé e colocou múltiplas propostas justas na mesa, que incluíam aumentos salariais significativos, mas não se pode fechar um acordo se um dos lados se recusa a se comprometer", declarou Hochul, instando as partes a retornarem à mesa de negociações.
Janno Lieber, CEO da MTA, defendeu a agência, afirmando que não poderia fechar um acordo que "implodisse o orçamento". Ele acrescentou que a última oferta rejeitada pelos sindicatos já concedia "tudo o que eles disseram que queriam em termos de remuneração", mostrando a complexidade e a distância entre as partes envolvidas no conflito.
A situação ganha contornos ainda mais dramáticos por ocorrer às vésperas do feriado de Memorial Day, em 25 de maio, uma data significativa para os americanos que homenageia os militares falecidos em combate. A greve ameaça atrapalhar planos de viagem e celebrações familiares em um momento de união nacional.
*Com informações da Reuters.
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