FIM DA FILA
Governo zerará fila do INSS até outubro, afirma Ministro Wolney Queiroz
Ministro da Previdência Social, Wolney Queiroz, detalha ações para reduzir em até 30% o número de pedidos pendentes e combate a fraudes. Comunidades ribeirinhas terão acesso ampliado a serviços.
O governo pretende zerar a fila de pedidos de benefícios do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) até outubro deste ano. A meta foi anunciada nesta quarta-feira, 20 de maio de 2026, pelo Ministro da Previdência Social, Wolney Queiroz (PDT), em entrevista ao programa “Bom Dia, Ministro”, da EBC (Empresa Brasileira de Comunicação). A declaração reforça o compromisso com a agilidade e a dignidade no acesso aos direitos previdenciários.
Segundo Wolney, a redução da fila já é expressiva. De 3,1 milhões de pedidos em fevereiro, o número caiu para 2,347 milhões. O ministro projeta uma diminuição de cerca de 300 mil solicitações apenas em maio, demonstrando a efetividade das ações implementadas. Paralelamente, a fila para perícia médica presencial também apresentou queda, passando de 1,1 milhão em janeiro para 771 mil em abril, uma redução de 30,85%. Em abril, foram realizadas mais de 511 mil perícias presenciais e 473 mil análises documentais, que dispensam o comparecimento do segurado.
O Ministro expressou confiança no rigor dos procedimentos, descartando aumento de fraudes com a aceleração na concessão. “Não tenho nenhum receio disso. Ao contrário, as reclamações que a gente recebe são do rigor das perícias”, afirmou, sublinhando o compromisso com a segurança do sistema.
Wolney Queiroz também se manifestou contra uma reforma da Previdência nos moldes tradicionais, defendendo, em vez disso, o aprimoramento da produtividade do INSS através de revisões internas. “Ela vai tirar dinheiro do seu salário para você pagar mais. Ela vai fazer com que o tempo para se aposentar seja maior ou ela vai aumentar a alíquota, ou os três. Então, normalmente, é para você pagar essa conta”, explicou ele sobre os impactos de uma reforma.
O Ministério da Previdência Social atuou como base para investigações da PF (Polícia Federal) sobre investimentos irregulares em regimes próprios de Previdência de Estados e municípios no Banco Master. Auditorias realizadas pela pasta em 2024 forneceram os dados que embasaram as operações policiais.
O ministro assegurou que não há recursos de fundos de pensão fechados, que somam cerca de R$ 1,4 trilhão e são supervisionados pela Previc (Superintendência Nacional de Previdência Complementar), aplicados no Banco Master. “Não há nenhum real dos fundos de pensão aplicado no Banco Master”, declarou. Os problemas identificados concentram-se em regimes próprios de Previdência municipais e estaduais.
A atuação do ministério foi fundamental para a Polícia Federal. “Foi com base nas nossas auditorias, nos nossos dados, que a Polícia Federal fez as operações nas cidades onde já houve operações”, explicou Wolney. Ele ressaltou a sensibilidade das informações, impedindo a divulgação de nomes de outras cidades fiscalizadas para não comprometer futuras operações.
Em relação aos descontos indevidos em benefícios, Wolney Queiroz informou que mais de 4,5 milhões de segurados já foram ressarcidos. O prazo para contestação foi estendido até 20 de junho, e os segurados podem verificar a situação pelo aplicativo Meu INSS, pela Central 135 ou em agências dos Correios. O ministro lamentou que a confiança dos aposentados no INSS tenha sido abalada, mas destacou o trabalho contínuo de recuperação desses valores.
Desde o início da gestão, foram realizadas 63 operações da PF com apoio da Força-Tarefa Previdenciária, resultando em uma economia projetada de R$ 350 milhões. Essa parceria visa combater irregularidades e garantir a lisura dos recursos públicos.
O modelo de atendimento do INSS passará por revisão, após a alta demanda por atendimento presencial em agências dos Correios para tratar de descontos indevidos. A expectativa inicial de 2% de atendimentos presenciais chegou a 35%, indicando uma preferência de parte dos aposentados por essa modalidade.
Em outra frente, o governo defende a ampliação do PrevBarco, serviço flutuante do INSS que leva atendimento a comunidades ribeirinhas, indígenas, extrativistas e quilombolas na região Norte. Com seis unidades em operação e uma sétima prevista para Belém, o programa estuda expandir sua atuação para as regiões do Alto Xingu e do rio São Francisco. “É um barco todo preparado, tem servidores, tem tripulação, viaja às áreas ribeirinhas e atende comunidades indígenas, extrativistas e quilombolas que precisariam passar dias se deslocando”, detalhou o ministro.
Para reforçar o atendimento, o INSS recebeu 300 assistentes sociais e planeja solicitar ao MGI (Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos) mais 300 servidores. Um concurso público de maior escala está previsto para 2027.
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