INTERVENÇÃO NA DEMOCRACIA

Governo Trump destitui membros da Comissão de Assistência Eleitoral

Fachada institucional da Comissão de Assistência Eleitoral em Washington.
Sede da Comissão de Assistência Eleitoral, órgão agora sem comissários ativos após decisão do governo.

Decisão da Casa Branca remove os últimos comissários do órgão responsável pela segurança das eleições, gerando preocupações sobre a integridade do processo.

O governo Trump destituiu os três últimos integrantes da Comissão de Assistência Eleitoral, órgão bipartidário fundamental para o suporte aos estados na gestão dos pleitos, conforme confirmado pela Casa Branca em 09/07/2026. A medida, oficializada nesta sexta-feira, 10/07/2026, marca uma reestruturação drástica na governança do sistema eleitoral da América e levanta debates sobre a neutralidade das instituições democráticas.

A decisão atingiu Thomas Hicks e Benjamin Hovland, indicados pelo Congresso, e formalizou a saída da republicana Christy McCormick. Com a vacância total do conselho, o órgão perde sua capacidade de deliberação técnica, deixando os estados sem a orientação centralizada que garante a segurança no registro de votantes e na certificação de equipamentos de votação.

Em justificativa enviada à imprensa, um representante da Casa Branca afirmou que a gestão de Donald Trump busca alinhar o quadro funcional a uma visão específica de integridade eleitoral, focada na contagem exclusiva de votos legais. O governo fundamentou o ato na recente jurisprudência da Suprema Corte, que amplia a prerrogativa presidencial para exonerar reguladores de agências independentes.

O impacto prático da medida é imediato. Especialistas apontam que a desarticulação da Comissão de Assistência Eleitoral — criada em 2002 para zelar pelo cumprimento da Lei Nacional de Registro de Eleitores de 1993 — fragiliza a fiscalização sobre fraudes e a distribuição de recursos destinados à modernização do parque tecnológico eleitoral.

Michael Waldman, do Brennan Center for Justice da Faculdade de Direito da Universidade de Nova York, classificou o movimento como um retrocesso. "É um ato profundamente preocupante diante da recorrência de tentativas de interferência direta no processo democrático", alertou o especialista.

A ofensiva contra a estrutura eleitoral ocorre em meio a pressões de Donald Trump por mudanças legislativas mais rígidas, incluindo a exigência de prova de cidadania para registro e restrições ao voto por correio — prática que o presidente questionou publicamente, apesar de tê-la utilizado na Flórida em março. Não cabe recurso administrativo imediato para reverter a destituição dos comissários.

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