VÍNCULOS COM VIZINHOS

Governo planeja relação pragmática com novas lideranças de direita na América Latina

Foto do Presidente Lula em uma reunião diplomática, representando o Brasil.
Presidente Lula em encontro diplomático.

Lula busca manter parcerias comerciais e interesses mútuos, apesar das divergências ideológicas com governos de direita como os da Colômbia e Peru.

O governo brasileiro priorizará uma relação pragmática com as novas lideranças de direita da América Latina. A decisão, tomada com base em interlocutores, surge após nomes como Abelardo de la Espriella, na Colômbia, e Keiko Fujimori, no Peru, assumirem ou estarem prestes a assumir suas respectivas Presidências.

A relação com os países vizinhos não deve ser prejudicada por divergências ideológicas com o presidente Lula (PT), segundo fontes. O entendimento é que os interesses em parcerias e na manutenção de uma relação comercial com o Brasil devem prevalecer sobre as diferenças políticas.

Embora as relações bilaterais com cada governo devam ser preservadas, a ascensão da ultradireita no continente pode impactar ações coletivas. Iniciativas em esferas como o Mercosul, a Celac (Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos) e a reconstituição da Unasul (União de Nações Sul-Americanas) — blocos de diálogo político entre os países sul-americanos — podem enfrentar desafios.

Caso Lula se reeleja na disputa pela Presidência deste ano, setores do Planalto preveem que a integração regional do Brasil com a América Latina poderá se tornar um novo desafio. O cenário é de um ambiente continental mais permeado por governos simpáticos à direita.

Por outro lado, há interesses que devem se manter preservados na relação dos vizinhos com o Brasil. Destaques incluem a cooperação nos setores energéticos e de gás, além do interesse no comércio transatlântico.

O chileno José Antônio Kast é um dos líderes que já manifestaram interesse em manter o diálogo bilateral com o Brasil. Ele solicitou uma reunião com o presidente Lula na cúpula do Mercosul no Paraguai, marcada para ocorrer em Assunção, em 30 de junho.

Pouco depois de sua vitória nas urnas, Kast se reuniu com Lula em janeiro deste ano, durante visita ao Panamá para o Fórum Econômico Internacional. Após o encontro, o governo brasileiro reforçou a manutenção do diálogo entre os dois países.

Kast havia convidado Lula para sua posse, e o presidente chegou a confirmar presença, mas desmarcou a ida na véspera. O cancelamento chamou atenção por ter ocorrido pouco depois de seu provável adversário nas eleições de outubro, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), anunciar participação na cerimônia. O governo brasileiro não informou oficialmente o motivo da mudança de planos e designou o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, para representar o Brasil.

No Peru, em uma apuração que se arrasta, a populista de direita Keiko Fujimori já é considerada matematicamente eleita.

A esquerda perdeu espaço no continente. Atualmente, a direita governa Colômbia, Equador, Peru, Bolívia, Paraguai, Chile e Argentina.

As mudanças nos países vizinhos afastaram aliados importantes para Lula, como Gabriel Boric (Chile) e Gustavo Petro (Colômbia). Junto ao Brasil, governos mais alinhados à esquerda incluem Uruguai, Guiana, Suriname e Venezuela.

O cenário atual contrasta com o de 2022, quando Lula se elegeu. Naquele ano, Argentina, Bolívia, Chile, Guiana, Peru, Venezuela e a própria Colômbia eram governadas pela esquerda. A vitória de Lula sinalizava uma possível nova onda rosa na América Latina, período dos anos 2000 marcado pelo triunfo de governos de esquerda na região.

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