FERROVIA EM CRISE

Governo pagará Rumo para manutenção da Malha Oeste após abandono da via

Vista aérea de trilhos da Rumo Malha Oeste em estado de abandono.
Trecho da Malha Oeste sob responsabilidade da Rumo S.A.

Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) destina R$ 26,9 milhões para que a Rumo S.A. cuide da conservação da linha ferroviária pelos próximos seis meses.

A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) decidiu destinar um crédito de R$ 26,9 milhões à Rumo S.A. para a manutenção da Malha Oeste, nesta segunda-feira, 13/07/2026. A medida visa garantir a conservação da infraestrutura ferroviária, que liga Corumbá, no Mato Grosso do Sul, a Mairinque, São Paulo, durante o período de transição após o encerramento do contrato original, ocorrido em 30 de junho de 2026.

O aporte, que tem como objetivo preservar a segurança e o interesse público enquanto ocorre o processo de relicitação, prevê que R$ 5,9 milhões sejam aplicados exclusivamente na roçada e capina de vegetação em trechos críticos. O restante dos recursos será direcionado a serviços de vigilância, guarda patrimonial e monitoramento via satélite dos trilhos.

A decisão, formalizada por meio de um termo aditivo, estabelece um período de extensão de 180 dias. O valor será alocado através de um encontro de contas, mecanismo que equilibra créditos e débitos recíprocos entre o Poder Concedente e a empresa.

A situação da Malha Oeste é apontada pelo próprio Tribunal de Contas da União (TCU) como um caso de degradação prolongada. Uma auditoria do órgão concluiu que a infraestrutura está sucateada, reflexo de investimentos insuficientes realizados pela concessionária ao longo dos anos. O relatório do tribunal também indica que a estratégia da empresa priorizou trechos mais lucrativos, como a Malha Paulista, em detrimento da conservação dos trilhos que conectam o Mato Grosso do Sul ao interior de São Paulo.

Enquanto a Rumo S.A. sustenta que os novos custos operacionais constituem encargos autônomos que não faziam parte da equação financeira original, a ANTT defende que a manutenção da gestão provisória pela atual operadora traz segurança jurídica e evita a descontinuidade operacional. O futuro da malha permanece em debate técnico para a construção de uma solução sustentável para a logística nacional.

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