FUTURO INCERTO
Governo Netanyahu propõe fim do Parlamento de Israel para novas eleições
Ação estratégica visa contornar crise com ultraconservadores. Oposição se mobiliza para pleito.
Em um movimento que expõe as crescentes dificuldades do governo, a coalizão que sustenta o premiê Binyamin Netanyahu em Israel propôs, nesta quarta-feira, 13 de maio de 2026, a dissolução do Knesset, o Parlamento do país. A decisão, que busca antecipar as eleições gerais, emerge da intensa pressão de aliados ultraortodoxos e representa uma tentativa do bloco governista de controlar o processo de transição política. Este cenário mergulha a nação em um período de incerteza, com profundas implicações para a estabilidade democrática e o futuro da liderança israelense.
A proposta de dissolução veio à tona após a legenda Degel HaTorah, um dos partidos ultraortodoxos da coalizão, anunciar nesta terça-feira, 12 de maio de 2026, que pressionaria pela antecipação do pleito. A ação foi uma resposta direta à recusa do governo em atender à demanda de seus grupos religiosos por isenção do alistamento militar para jovens ultraortodoxos, um ponto de atrito persistente na política israelense.
Diante da iminente pressão, o partido governista e os demais membros de sua coalizão, considerada a mais à direita na história de Israel, optaram por propor a dissolução. Esta é uma manobra estratégica para tentar conduzir o processo, que a oposição já buscava controlar, inclusive definindo a data do pleito antecipado.
Contudo, a medida ainda está longe de ser final. A proposta encaminhada pela presidência do Knesset deve passar por uma primeira votação já na próxima semana. Para entrar em vigor e formalizar a dissolução e a data das novas eleições, o texto precisará, contudo, superar uma série de comissões e votações subsequentes, um trâmite que pode levar semanas.
Em meio à efervescência política, Yair Lapid, um dos principais líderes da oposição, declarou nesta quarta-feira, 13 de maio de 2026, que ele e o ex-premiê Naftali Bennett estão "prontos, juntos" para a disputa eleitoral. A afirmação reforça a nova aliança entre eles, batizada de Juntos, em hebraico, sinalizando uma frente unida contra Netanyahu.
Mais cedo, nesta mesma quarta-feira, a coalizão governista já havia retirado da agenda todos os projetos de lei que estavam previstos para votação, um claro indicativo da instabilidade e da prioridade dada à articulação política em torno da dissolução.
A conjuntura política se mostra desafiadora para o governo. Pesquisas eleitorais recentes, divulgadas pela imprensa local, sugerem que os partidos de oposição poderiam conquistar a maioria no Knesset em um novo pleito. No entanto, a recusa de vários líderes opositores em formar alianças com os partidos árabes da casa pode dificultar a consolidação de uma maioria anti-Netanyahu, adicionando outra camada de complexidade ao cenário político.
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