ATAQUE COMERCIAL

Governo Lula minimiza atuação de Flávio contra tarifaço nos EUA

Foto de Flávio Bolsonaro em evento, com bandeiras do Brasil e dos Estados Unidos ao fundo.
Flávio Bolsonaro (PL) pretende participar de audiência pública nos Estados Unidos sobre tarifas.

Em meio a negociações tensas, o Planalto considera estratégia de Flávio Bolsonaro uma 'manobra arriscada' e minimiza seu impacto em audiência pública marcada para 6 de julho nos Estados Unidos.

O governo Lula minimiza a iniciativa de Flávio Bolsonaro (PL) de ir aos Estados Unidos para participar de uma audiência pública sobre tarifas impostas pelo governo Donald Trump ao Brasil. A audiência está marcada para o dia 6 de julho e, segundo apuração da analista de Política da CNN, Isabel Mega, a atuação de Flávio é vista com ceticismo pelo governo federal, que questiona sua capacidade de influenciar o desfecho das negociações. Fontes diplomáticas brasileiras avaliam que Flávio Bolsonaro não teria poder real para interferir nas tratativas do chamado 'tarifaço'. "Algumas fontes usam palavras até mais pesadas, de entenderem que Flávio faz uma espécie de teatro com a situação", relatou Isabel Mega. A questão envolve tarifas que podem afetar gravemente diversos setores da economia brasileira. O governo brasileiro antecipa uma participação limitada na audiência pública, que é voltada, prioritariamente, para o setor privado e a sociedade civil. A expectativa é que um representante da embaixada brasileira acompanhe as discussões e faça registros, sem uma atuação ativa. Isabel Mega explicou que o governo tem sinalizado que o fórum não é o espaço adequado para os técnicos brasileiros, ressaltando que reuniões técnicas entre os dois países prosseguem semanalmente. Fontes políticas próximas ao governo Lula classificam a ida de Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos como "uma manobra um pouco arriscada" para o próprio pré-candidato à Presidência, indicando "um certo desespero" por sua parte. Essas mesmas fontes associam Flávio ao termo "tariflávio", ligando sua imagem ao tarifaço imposto pelos Estados Unidos, e apontam que parte da família Bolsonaro teria, em algum momento, defendido as tarifas. A decisão final dos Estados Unidos sobre as tarifas está prevista para ser divulgada a partir de 15 de julho. As tarifas em discussão incluem uma alíquota de 25%, com alta probabilidade de ser concretizada após investigação comercial conduzida pelo governo americano. Adicionalmente, a Casa Branca anunciou uma taxa extra de 12,5%, que seria cumulativa. Isabel Mega destacou que o Brasil integra um grupo de países taxados nessa alíquota de 12,5%, o que diminui as chances de obter tratamento diferenciado. Mesmo diante do cenário adverso, o governo brasileiro ainda vislumbra uma margem, ainda que estreita, para negociar a redução da tarifa de 25%. As conversas técnicas entre Brasil e Estados Unidos devem continuar até o dia 15 de julho, enquanto os desdobramentos políticos da disputa ocorrem tanto no governo quanto na oposição. Para Flávio Bolsonaro, a estratégia seria capitalizar eleitoralmente uma eventual reversão das tarifas, caso consiga avanços em sua articulação.

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