FIM DA IMPUNIDADE
Governo Lula investe R$ 11 bilhões na segurança pública
Iniciativa foca na asfixia financeira de facções e no fortalecimento do sistema prisional em todo o país.
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva anuncia nesta terça-feira, 12 de maio de 2026, o Programa Brasil contra o Crime Organizado. A iniciativa mobiliza investimentos que podem chegar a R$ 11 bilhões, com o objetivo de enfrentar a criminalidade e aprimorar a segurança pública no país. A medida surge como resposta à crescente preocupação da população com a segurança e se posiciona como um ponto crucial na agenda eleitoral.
A estratégia governamental injeta cerca de R$ 1 bilhão do orçamento para medidas de segurança, complementado por até R$ 10 bilhões em empréstimos que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) viabilizará aos Estados. Esses recursos provêm do Fundo de Investimento em Infraestrutura Social (FIIS) e destinam-se a unidades da federação interessadas em aderir ao programa. Nesta terça-feira, a formalização do plano ocorre com a assinatura de um decreto presidencial e portarias que detalham as ações.
Considerado uma das principais respostas do governo Lula na área, o programa foca em quatro eixos estratégicos para combater as facções criminosas: a asfixia financeira, o combate ao tráfico de armas, o esclarecimento de homicídios e o fortalecimento do sistema prisional. A intenção é desmantelar o lucrativo esquema das organizações criminosas, reduzindo sua capacidade operacional e tornando a atividade menos atrativa para os envolvidos.
Um dos pilares para atingir a descapitalização dessas facções é a expansão do Comitê Integrado de Investigação Financeira e Recuperação de Ativos (CIIFRA). Atualmente presente apenas no Rio de Janeiro, a estrutura será levada a outros Estados. O montante de aproximadamente R$ 1 bilhão, proveniente do Fundo Nacional de Segurança Pública e do Fundo Penitenciário Nacional, permitirá aos Estados a aquisição de equipamentos essenciais, como drones, pistolas, viaturas e softwares avançados para monitoramento financeiro.
Ao longo do mandato, o governo enfrentou críticas pela percepção de falta de ações contundentes na segurança pública. Iniciativas anteriores, como o Programa Nacional de Enfrentamento às Organizações Criminosas (Enfoc), lançado na gestão do ex-ministro Flávio Dino, e a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública, enviada ao Congresso sob o comando do ex-ministro Ricardo Lewandowski, buscaram preencher essa lacuna.
O presidente Lula, contudo, manteve resistência à criação de um Ministério da Segurança Pública, demanda de muitos especialistas. Atualmente, a efetivação dessa pasta está condicionada à aprovação da PEC da Segurança Pública, que aguarda votação no Senado. O ambiente político tenso entre o Executivo e o Legislativo, especialmente após a rejeição do nome de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF), pode dificultar a tramitação dessa proposta.
Conforme noticiado pelo Estadão, a segurança pública promete ser um campo de embate eleitoral entre Lula e a direita. Nesse cenário, o governo federal intensifica esforços para destravar medidas e impulsionar programas na área.
Recentemente, Lula e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reuniram-se em Washington. O presidente brasileiro afirmou que a pauta não incluiu a intenção dos EUA de classificar facções brasileiras, como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), como terroristas. O governo brasileiro recusa essa classificação por receio de que ela possa justificar ações militares americanas fora do território nacional. Lula, no entanto, defendeu a Trump a criação de um grupo de trabalho internacional para combater o crime organizado, ressaltando que parte das armas que chegam ao Brasil tem origem nos EUA.
Gostou desta notícia?
Entre no nosso grupo do WhatsApp!
Receba as principais notícias em primeira mão, direto no seu celular. É grátis!
📲 Quero entrar no grupo
Comentários (0)
Deixe seu comentário