INSS ATRASA BENEFÍCIOS
Governo Lula falha em metas do INSS e busca reduzir fila em ano eleitoral
Governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não cumpriu prazos de aposentadorias e BPC em 2025. Nova gestão no INSS busca agilizar análises.
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não atingiu as metas estabelecidas para reduzir o tempo de espera por aposentadorias, pensões e pelo Benefício de Prestação Continuada (BPC) no ano de 2025. Os dados foram apresentados na prestação de contas enviada ao Tribunal de Contas da União (TCU), órgão que irá analisar a gestão fiscal do Executivo.
Apesar do resultado desfavorável em 2025, o governo relata que os indicadores começaram a apresentar melhorias em 2026. Ainda assim, o desempenho do ano anterior servirá de base para o julgamento das contas presidenciais.
Metas de redução não foram alcançadas
De acordo com informações do Estadão, o Plano Plurianual (PPA) previa a diminuição do tempo médio de concessão do BPC de 119 para 101 dias em 2025. Entretanto, o prazo estendeu-se até 254 dias em dezembro, superando em mais do que o dobro o objetivo estabelecido.
No que se refere aos benefícios previdenciários gerenciados pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), como aposentadorias e pensões, a meta era que o tempo médio de análise fosse reduzido para 44 dias. No entanto, o indicador fechou dezembro em 62 dias, ultrapassando o objetivo em 41%.
Adicionalmente, a quantidade de requerimentos pendentes no INSS atingiu aproximadamente 3 milhões no final de 2025, configurando o maior volume registrado durante a atual gestão.
Governo aponta motivos para a demora
O Executivo atribui o aumento da fila a diversos fatores. No caso do BPC, a justificativa principal mencionou a suspensão temporária das análises em junho de 2025, necessária para a adaptação dos sistemas após alterações nas regras de cálculo da renda familiar. A atualização dos sistemas da Dataprev foi concluída somente em dezembro de 2025, o que levou ao represamento de milhares de pedidos.
Para as aposentadorias e pensões, o governo citou o crescimento da demanda, o aumento de processos que requerem perícia médica e a redução do efetivo nas centrais de análise como causas da demora.
Também foram mencionados os efeitos da Operação Sem Desconto, que investigou fraudes e demandou ações administrativas para cancelar descontos irregulares e ressarcir segurados lesados.
Fila começou a cair em 2026
Apesar do cenário de 2025, os números apresentaram melhora em 2026. Em março, o tempo médio para concessão do BPC diminuiu para 134 dias. Já os benefícios previdenciários registraram um prazo médio de 48 dias em abril.
Novas metas foram estabelecidas para 2026, com o objetivo de reduzir a espera a 95 dias para o BPC e a 43 dias para os benefícios gerais do INSS. Em abril, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva substituiu a liderança do instituto, nomeando Ana Cristina Viana Silveira para a presidência. Segundo o ministro da Previdência Social, Wolney Queiroz, a meta agora é que todos os pedidos sejam processados em no máximo 45 dias.
Despesas pressionam as contas públicas
A situação previdenciária impacta diretamente as finanças da União. Em 2025, o Regime Geral de Previdência Social registrou um déficit de R$ 320,97 bilhões, impulsionado pelo aumento dos gastos com benefícios. As projeções indicam que as despesas previdenciárias continuarão a crescer, com o déficit podendo alcançar R$ 1 trilhão em 2041 e R$ 30 trilhões em 2100, caso as regras atuais permaneçam.
Neste contexto, o governo busca acelerar a análise dos benefícios, reduzir a fila do INSS e controlar a pressão sobre as contas públicas, em um ano marcado pela proximidade das eleições presidenciais.
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