DECISÃO DOS EUA
Governo Lula critica decisão dos EUA sobre PCC e Comando Vermelho e defende soberania nacional
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva avalia contato direto com Trump e busca cooperação ao invés de intervenção após classificação de facções como organizações terroristas estrangeiras.
{ "blocks": [ { "type": "paragraph", "data": { "text": "O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reagiu com descontentamento à decisão do governo Donald Trump de classificar o PCC e o Comando Vermelho como Organizações Terroristas Estrangeiras. A medida, anunciada pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos, pegou de surpresa o Itamaraty e o Ministério da Justiça, que não foram previamente comunicados. Lula pretende defender a soberania nacional e avalia um contato direto com Donald Trump para discutir o assunto. A iniciativa, percebida como uma possível influência de Flávio Bolsonaro, que esteve recentemente na Casa Branca e defendeu a adoção da medida, desagradou o Planalto." } }, { "type": "paragraph", "data": { "text": "Auxiliares presidenciais apontam que Trump pode não ter participado diretamente da formulação da decisão, mas que a ala mais radical de seu governo pode ter sido influente. O Planalto busca articular uma cooperação com os Estados Unidos focada no combate ao crime organizado, mas preza pela cooperação e rejeita qualquer forma de intervenção. A forma como a medida foi divulgada foi vista como uma sinalização de apoio a Flávio Bolsonaro na campanha eleitoral, uma vez que a imagem de Trump junto à população brasileira é negativa, o que o governo brasileiro considera que pode ser explorado politicamente. A expectativa é que Trump permaneça neutro no processo eleitoral brasileiro." } }, { "type": "paragraph", "data": { "text": "Na noite de quinta-feira, 28, o presidente Lula manteve contato com integrantes da cúpula governamental para debater a resposta do Brasil. A orientação, alinhada com o assessor internacional Celso Amorim, é clara: cooperação sim, intervenção jamais. Ele conversou com o chanceler Mauro Vieira, o número 2 da Assessoria Especial da Presidência, Audo Faleiro, o ministro da Justiça, Wellington César, e o ministro da Fazenda, Dario Durigan. As conversas focaram em levantar os prejuízos potenciais da medida norte-americana à cooperação bilateral no combate ao crime organizado e em analisar os possíveis impactos econômicos." } }, { "type": "paragraph", "data": { "text": "Ainda não há definição sobre se o governo fará uma manifestação oficial nesta sexta-feira, 29, ou se aguardará mais alguns dias. Contudo, existem ao menos duas versões de nota prontas, aguardando aprovação presidencial. A equipe de comunicação defende que Lula aborde o tema publicamente ainda nesta sexta, durante um evento em Sergipe, focando na defesa da soberania brasileira. A estratégia em discussão para a reação governamental é concentrar o discurso nas consequências econômicas e diplomáticas da decisão, buscando apoio do mercado financeiro e do setor empresarial, sem, contudo, transmitir a imagem de defesa das facções criminosas. O eixo central da reação será a defesa da soberania nacional, ecoando o discurso adotado em episódios anteriores, como o da tarifaço anunciado pelos Estados Unidos." } ] }
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