GOVERNO LULA
Governo Lula avalia permitir 2º funcionário para MEI após fim da escala 6x1
Ministro do Empreendedorismo, Paulo Pereira, considera nova regra para compensar aumento de custos para pequenos negócios. Discussões incluem reajuste do teto de faturamento e combate a fraudes.
O governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) considera a possibilidade de permitir que Microempreendedores Individuais (MEI) contratem um segundo funcionário. A medida é estudada como forma de compensar os potenciais impactos do fim da escala de trabalho 6x1, que pode gerar custos adicionais para os pequenos negócios.
O ministro do Empreendedorismo, Paulo Pereira, em entrevista ao Poder360 nesta segunda-feira, 08/06/2026, explicou que o setor de comércio, especialmente aquele com poucos empregados, é o mais vulnerável. Atualmente, o MEI pode registrar apenas um funcionário. Com a mudança na jornada, o custo desse único empregado pode aumentar, levando à reflexão sobre a viabilidade de uma segunda contratação.
“Será que ele pode vir a contratar 2? Estamos pensando soluções especialmente para esse ambiente”, afirmou Pereira, ressaltando que nenhuma decisão final foi tomada e que qualquer mudança deve ser fiscalmente sustentável. A proposta, segundo ele, seria “provavelmente uma segunda contratação, ou alguma coisa assim, mas fazendo um movimento que possa ser suportado fiscalmente”.
O ministro destacou que empresas comerciais com um ou dois funcionários são as mais diretamente afetadas pela redução da jornada 6x1, pois o risco de aumento de custos é imediato. Para abordar essa preocupação, o Ministério do Empreendedorismo tem dialogado com entidades como o Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas) para desenhar um programa de apoio à adaptação dos negócios.
Pereira também buscou minimizar o receio do setor, citando a 12ª edição da Pesquisa Pulso dos Pequenos Negócios, realizada pelo Sebrae. Segundo o levantamento, 27% dos micro e pequenos empreendedores avaliam negativamente o fim da escala 6x1, um índice que, segundo o ministro, já foi de 31% e tende a cair à medida que os efeitos positivos se tornarem mais claros. Cerca de 51% dos empreendedores já acreditam que a mudança não os afetará significativamente.
O argumento central do governo é que o fim da jornada 6x1 impulsionará a economia. Com mais tempo livre, espera-se que os trabalhadores aumentem o consumo, beneficiando diretamente os pequenos negócios. "O comércio vai receber um fluxo de gente que não recebia antes", projetou o ministro, acrescentando que a nova jornada pode ampliar o número de trabalhadores em regime parcial.
Outras Reformas no MEI
Além da discussão sobre a jornada de trabalho, o governo está elaborando um pacote de medidas para o MEI. Uma prioridade é o reajuste do teto de faturamento, que está congelado em R$ 81 mil anuais há mais de uma década. O objetivo é aproximar o limite do pleito do setor, que sugere um valor entre R$ 120 mil e R$ 130 mil por ano.
Outra frente de atuação é o combate a fraudes. Atualmente, MEIs que ultrapassam o teto faturam o limite estabelecido dividindo o rendimento com parentes para evitar a migração para regimes tributários mais onerosos. O governo acredita que o próprio reajuste já diminuirá esse incentivo, mas também estuda medidas para dificultar a pejotização fraudulenta, prática em que empresas demitem empregados para recontratá-los como MEI e reduzir encargos.
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