NEGOCIAÇÃO SOB TENSÃO
Governo Lula articula reunião final com EUA para evitar novo tarifaço contra o Brasil
Gestão federal mantém estratégia de não ceder em temas sensíveis, enquanto Estados Unidos avaliam taxação de 25% para o próximo dia 15 de julho.
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) busca viabilizar uma última reunião com representantes dos Estados Unidos para evitar a imposição de um tarifaço contra o Brasil. A decisão sobre a aplicação das taxas, que impactariam setores estratégicos da economia nacional, deve ser oficializada pelos norte-americanos até o dia 15 de julho de 2026, com base em investigação da chamada “seção 301”.
A gestão federal intensificou os esforços para alinhar uma agenda com Jamieson Greer, chefe do USTR (Representante Comercial dos Estados Unidos), no âmbito de um GT (grupo de trabalho) dedicado ao tema. A expectativa é que este encontro, o quinto entre as partes, traga definições concretas sobre a investigação.
Em reunião estratégica realizada na sexta-feira, 10 de julho de 2026, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva definiu com seus ministros que a estratégia brasileira permanecerá focada no diálogo técnico, sem realizar concessões consideradas injustificadas. Temas como a taxação do etanol permanecem fora da mesa de negociações, assim como a autonomia da ferramenta Pix, mantida como inegociável pelo governo.
Participaram das deliberações Márcio Elias Rosa, representante do MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços), e Mauro Vieira, das Relações Exteriores. O cenário considerado mais provável, segundo fontes ligadas ao Planalto, é de uma taxação de 25% a partir de 15 de julho de 2026, embora não se descarte totalmente a hipótese de um adiamento, ainda que tratada como remota pelo governo.
Para contornar a ameaça, o Brasil apresentou um plano detalhado endereçando os seis eixos da investigação norte-americana, que incluem desde medidas de combate à corrupção até ações de controle do desmatamento. O país também sinalizou a possibilidade de reduzir tarifas para cerca de 300 linhas de produtos, sob as diretrizes da OMC (Organização Mundial do Comércio), visando aumentar a competitividade e evitar o isolamento comercial.
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