PODER DE COMPRA

Cesta básica consome metade do salário mínimo e exige 105 horas de trabalho

Imagem representativa de alimentos básicos em uma cesta de compras.
Trabalhador brasileiro dedica quase metade de sua jornada mensal para adquirir itens da cesta básica.

Trabalhador brasileiro destina, em média, 52% de sua renda para alimentação. Levantamento aponta que, em São Paulo, o custo supera 64% do salário mínimo.

O custo da alimentação básica compromete mais da metade da renda do trabalhador brasileiro, consolidando um cenário de aperto financeiro severo. A decisão de calcular o impacto dessa despesa no orçamento familiar foi apresentada pela Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) e pelo Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) em junho de 2026, revelando o peso real da inflação sobre a mesa das famílias.

Os dados apontam que, em média, a cesta básica consome 52,02% do salário-mínimo líquido. Para garantir os itens essenciais, o cidadão precisa dedicar 105 horas e 51 minutos de sua carga horária mensal, considerando o regime de oito horas diárias. O impacto na dignidade é claro: o salário mínimo atual, de R$ 1.621, é insuficiente para suprir as necessidades básicas de uma família de quatro pessoas, que exigiria um piso de R$ 8.110,92.

O custo médio da cesta nas 27 capitais atingiu R$ 779,95 em junho, uma alta de 8,69% em 12 meses. O cenário é impulsionado pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), que acumulou elevação de 3,82% no grupo de Alimentos e Bebidas no mesmo período. A análise é técnica e definitiva, servindo como termômetro das dificuldades enfrentadas pela população para cobrir custos básicos.

A disparidade regional é um ponto de atenção: São Paulo (SP) lidera o ranking de custo, com a cesta a R$ 965,47, exigindo 131 horas de labuta. Em contrapartida, Aracaju (SE) oferece o conjunto mais acessível, a R$ 630,40. Enquanto isso, o rendimento médio nacional, apurado pela Pnad Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua) do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), permanece em R$ 3.726, evidenciando uma lacuna significativa entre a remuneração disponível e a cesta necessária para a subsistência.

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