GOVERNO REAGE

Governo Lula articula defesa de decretos sobre big techs contra oposição

Sede do Palácio do Planalto em Brasília.
Planalto busca evitar que decretos sobre plataformas digitais sejam derrubados pela oposição.

Planalto mobiliza secretarias e lideranças no Congresso para barrar tentativas de derrubada de novas regras para plataformas digitais.

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) está articulando uma estratégia para defender os dois decretos que estabelecem novas regras para a atuação das plataformas digitais no Brasil, conhecidas como big techs. A iniciativa visa impedir que os atos normativos sejam derrubados pelo Congresso Nacional.

A Secretaria de Políticas Digitais, vinculada à Secom (Secretaria de Comunicação Social), e a Secretaria de Relações Institucionais estão monitorando de perto a movimentação da oposição contra as normas editadas pelo Poder Executivo. O objetivo é antecipar e neutralizar as ações que buscam a anulação dos decretos.

O deputado Paulo Pimenta (PT-RS) tem sido o principal articulador na mobilização do governo junto ao Legislativo, contando com o apoio das lideranças governistas. O discurso oficial é de que os decretos de Lula possuem legitimidade e estabelecem regras específicas com base em legislação já existente, sem ferir a competência do Congresso.

Um dos decretos visa a proteção de mulheres na internet e o combate à violência em ambiente digital. O outro estabelece exigências mais rigorosas para provedores de aplicações, como a obrigatoriedade de canais de denúncia, a designação de um representante legal no Brasil e a possibilidade de remoção de conteúdos criminosos sem a necessidade de ordem judicial.

Essas novas regras ampliam a responsabilidade das big techs na retirada de conteúdo ilícito e na adoção de medidas preventivas contra fraudes e violência. Contudo, especialistas em direito digital apontam que a redação dos decretos pode conter ambiguidades, abrindo margem para interpretações que poderiam configurar censura, impactando a liberdade de expressão.

Oposição busca reverter decretos

Em resposta, congressistas da oposição apresentaram ao menos 24 Projetos de Decreto de Lei (PDLs) com o intuito de reverter os decretos assinados pelo presidente Lula. A oposição alega que o presidente extrapolou seus limites constitucionais ao criar novas obrigações para empresas de tecnologia sem a devida aprovação do Legislativo.

Na quinta-feira, 28 de maio de 2026, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), solicitou uma análise da consultoria jurídica da Casa sobre a constitucionalidade dos decretos. A questão central é a validade do poder regulamentar do Executivo em casos que criam novas obrigações sem deliberação legislativa.

A derrubada de atos do Executivo, embora seja um instrumento previsto na Constituição, é uma medida incomum e frequentemente levada ao Supremo Tribunal Federal (STF) para dirimir conflitos entre os Poderes. A última vez que um decreto presidencial foi derrubado remonta a 1992, durante o governo Fernando Collor, quando o Congresso rejeitou uma norma sobre precatórios. Esse episódio ocorreu em um cenário de grande instabilidade política, antecedendo o processo de impeachment de Collor.

O caso mais recente de impacto na autonomia regulatória do Executivo envolveu os decretos de maio de 2025, que aumentaram o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras). A medida, justificada como forma de compensar cortes no Orçamento, também gerou debate sobre a separação de Poderes.

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