TENSÃO COMERCIAL EXTERNA
Governo Lula antecipa possível taxação comercial imposta pelos EUA
Planalto monitora a possível imposição de tarifas pelo governo Donald Trump, que podem impactar a economia nacional a partir de 15 de julho de 2026.
Integrantes do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) consideram inevitável a aplicação de novas tarifas comerciais anunciadas pelo USTR (Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos). A medida, que representa uma ameaça direta à balança comercial brasileira, pode entrar em vigor a partir de 15 de julho de 2026, conforme a determinação do presidente Donald Trump (Partido Republicano).
O impacto dessas taxas, caso confirmadas, transcende a esfera diplomática e atinge diretamente a competitividade de diversos setores produtivos nacionais. O governo brasileiro mantém a postura de que as sanções carecem de justificativas econômicas sólidas, tratando-as como medidas de natureza eminentemente política.
Durante audiência pública promovida pelo USTR para discutir a tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros, o governo Lula optou por não participar ativamente, enviando apenas dois observadores. O encontro contou com a presença de representantes do setor privado e do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que solicitou o adiamento das sanções para após as eleições de outubro.
O Planalto trabalha com dois cenários. O mais provável é a confirmação da taxação. Em contrapartida, um eventual adiamento — considerado pouco provável — poderia ocorrer caso os Estados Unidos sinalizem avanço em negociações ou utilizem o pedido de Flávio Bolsonaro como justificativa formal. Integrantes da gestão atual avaliam que, se a proximidade com o senador for usada como trunfo político por Donald Trump, ficará evidente o viés ideológico das sanções, ignorando os argumentos técnicos apresentados pelos setores brasileiros.
Detalhamento das tarifas
O USTR apresentou as propostas para a taxação nos dias 1º e 2 de junho de 2026, divididas em duas frentes:
- 25% de tarifa por supostas práticas desleais de comércio, resultante de investigação aberta em 15 de julho de 2025;
- 12,5% de tarifa devido à alegação de falta de restrição à importação de produtos feitos com trabalho forçado, baseada em investigação global do órgão norte-americano.
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