DIPLOMACIA E COMÉRCIO
Lula articula acordo comercial com Coreia do Sul em Brasília
O encontro busca destravar negociações estagnadas desde 2018; pauta inclui minerais críticos e exportação de carnes.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) recebe o presidente da Coreia do Sul, Lee Jae Myung, em Brasília, nesta segunda-feira (24), com o objetivo central de destravar as negociações de um acordo de livre comércio entre o Mercosul e a nação asiática. A movimentação diplomática, confirmada por fontes no Palácio do Planalto, busca estreitar laços econômicos em um cenário global marcado por protecionismos.
As tratativas para o tratado comercial tiveram início ainda em 2018 e, após um período de estagnação, voltaram a ganhar tração recentemente. A estratégia do governo brasileiro considera que o cenário de tarifas impostas pelos Estados Unidos tem incentivado outras potências a buscarem novos parceiros estratégicos para diversificar o comércio internacional.
Para fundamentar o avanço das discussões, o governo federal promoveu em abril uma consulta pública com o setor privado, mapeando percepções sobre serviços, investimentos e compras governamentais. A expectativa da cúpula do Palácio do Planalto é que a cooperação técnica e econômica traga benefícios reais à economia brasileira, especialmente no que tange à expansão de mercados para o agronegócio e ao acesso a tecnologias de ponta.
Além da agenda comercial, o encontro abordará temas estratégicos como a cadeia de semicondutores, inteligência artificial, transição energética e a viabilização de investimentos em minerais críticos. Um dos pontos de maior interesse para o Brasil é a abertura de mercado para a carne bovina brasileira, vista como uma das últimas fronteiras para o produto nacional. Também deve ser pautada a adesão da Coreia do Sul ao TFFF (Fundo Florestas Tropicais para Sempre).
A reunião ocorre em um momento de transição na agenda internacional do governo. Segundo auxiliares, esta deve ser a última vez que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva recepciona chefes de Estado em Brasília antes do encerramento das eleições de 2026, com exceção da futura viagem aos Estados Unidos para a Assembleia-Geral da ONU (Nações Unidas).
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