SOBERANIA DIGITAL EM RISCO

Planalto mantém avanço de regulação das big techs apesar de pressão dos EUA

Edifício sede do Congresso Nacional em Brasília com bandeiras ao fundo.
Proposta de regulação das big techs no Brasil gera embate entre o governo Luiz Inácio Lula da Silva e interesses comerciais dos Estados Unidos.

Mesmo sob ameaça de sanções comerciais, o governo Luiz Inácio Lula da Silva descarta recuar do PL 4675/2025 que amplia poderes do Cade sobre plataformas digitais.

O governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reafirmou sua intenção de avançar com a regulação dos mercados digitais no Brasil, ignorando a pressão direta de congressistas dos Estados Unidos. A decisão de manter o projeto foi confirmada em conversas reservadas entre assessores presidenciais, que enfatizam a necessidade de priorizar a soberania digital nacional frente aos interesses das empresas globais de tecnologia.

O movimento de resistência externa ganhou força na quinta-feira (23), quando 20 congressistas americanos enviaram uma carta ao chefe do USTR (Escritório do Representante Comercial da Casa Branca), Jamieson Greer. O documento exige ação contra o Brasil devido à tramitação do PL 4675/2025, que amplia as prerrogativas do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) para fiscalizar práticas anticoncorrenciais.

Para integrantes do Palácio do Planalto, a ofensiva americana — que compara as gigantes de tecnologia ao contexto de disputa tarifária — é vista como desproporcional. A avaliação técnica é de que o USTR e o setor privado adotam demandas agressivas que impedem um ponto de convergência, tratando a regulação brasileira como uma extensão de conflitos comerciais prévios.

Apesar da firmeza do governo, a tramitação do projeto no Legislativo enfrenta cautela. O Executivo tem evitado pressionar por uma votação célere, temendo abrir uma nova frente de atrito comercial enquanto o país lida com a sobretaxação imposta pelo governo de Donald Trump. O ritmo do PL depende agora da articulação política do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do relator, Aliel Machado (PV-PR).

Enquanto o debate avança, o Conselho Digital — que reúne empresas como Google, Amazon e Meta — mantém críticas contundentes à proposta. A entidade argumenta que o texto confere poderes excessivos ao Cade e cria insegurança jurídica ao permitir intervenções preventivas em algoritmos. Do lado do governo, a meta segue sendo a criação da Superintendência Especial de Mercados Digitais, visando proteger o ambiente econômico nacional de abusos de poder.

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