PRIORIDADES MUDAM
Governo Lula adia PEC da Segurança Pública em ano eleitoral
Decisão do Palácio do Planalto transfere debate crucial sobre segurança para após as eleições de 2026, abrindo espaço para novas pautas.
O governo Lula decidiu, com base em avaliações internas de seus auxiliares, adiar a tramitação da PEC da Segurança Pública no Congresso Nacional. A medida visa evitar discussões polêmicas em um ano eleitoral, impactando diretamente o debate sobre políticas de segurança e a expectativa por novas abordagens no combate à criminalidade, enquanto prioriza outras pautas consideradas mais urgentes pelo Palácio do Planalto nesta sábado, 09/05/2026.
A proposta, que foi aprovada pela Câmara em março, encontra-se desde então em compasso de espera no Senado. O presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), não demonstrou pressa em dar seguimento ao processo legislativo. Até o momento, a PEC da Segurança Pública ainda não foi despachada para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), primeira etapa de análise no Senado.
Na Câmara dos Deputados, o texto governamental enfrentou considerável resistência, especialmente por parte de governadores filiados a partidos da oposição. No Senado, a projeção é de que o cenário não seria significativamente diferente. Diante disso, integrantes do próprio governo chegaram a um consenso de que seria mais estratégico adiar a discussão sobre temas tão controversos para depois das eleições de 2026.
Auxiliares próximos ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ouvidos pela coluna, consideram que o governo executou “tudo o que poderia fazer” em relação à proposta e que, agora, o foco se volta para assuntos de maior urgência para o país.
As novas prioridades do governo
Entre as novas prioridades do governo, destaca-se um projeto de autoria do líder do governo na Câmara, Paulo Pimenta (PT-RS). A proposta busca criar um mecanismo para a redução dos tributos incidentes sobre os combustíveis, visando atenuar os impactos da guerra no Irã sobre a economia brasileira.
Os deputados já aprovaram o requerimento de urgência para a matéria, que pode ser votada em plenário a qualquer momento. A relatoria da proposta está sob a responsabilidade da deputada Marussa Boldrin (Republicanos-GO).
Fim da 6×1
Outra iniciativa que figura entre as prioridades do governo para 2026 é a PEC que propõe o fim da escala de trabalho 6×1. O tema está em debate na Câmara dos Deputados, onde uma comissão especial analisa o mérito da matéria. Essa mudança, que pode impactar diretamente a vida de milhares de trabalhadores, conta com o apoio do presidente da Casa, deputado Hugo Motta (Republicanos-PB).
A previsão é que o texto seja votado no fim de maio, seguindo posteriormente para a análise do Senado. A redução da jornada de trabalho é uma das principais bandeiras do governo em 2026 e tem sido amplamente explorada pelo PT nas inserções partidárias, como parte da pré-campanha à reeleição de Lula.
Terras raras
Na lista de prioridades governamentais, figura também o projeto que estabelece um marco regulatório para a exploração de minerais críticos e estratégicos no Brasil. Após ser aprovada na Câmara, a proposta seguiu para o Senado. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva exaltou o projeto durante um encontro com Donald Trump, evidenciando a relevância internacional da matéria.
O governo brasileiro mantém negociações com os Estados Unidos para firmar um acordo de exploração de terras raras e outros minerais de importância estratégica. Integrantes do Palácio do Planalto avaliam que o texto está bem alinhado e não deve enfrentar grandes resistências durante sua tramitação no Senado.
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